Moradores cuidam de avenida na zona sul
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de janeiro de 2002
Célia Guerra 
Roseiras, pingos de ouro, pés de café e girassóis assumiram o espaço antes ocupado pelo mato no canteiro central da Avenida Estados Unidos, zona sul de Londrina. A iniciativa do trabalho foi do assistente administrativo Guilherme da Silva, 44 anos, que se sentia incomodado com o descaso do poder público para a paisagem da cidade.
Aos poucos a idéia foi ganhando o apoio e a adesão de outros vizinhos e até de moradores de ruas próximas, que cuidam quase que diariamente dos três quarteirões que compõem a avenida. O professor Jonas Vieira da Costa auxilia Silva nos cuidados de duas quadras onde se concentram pés de café e outras variedades de flores e plantas decorativas.
A última quadra foi assumida pelas donas de casa Lúcia Lopes Mansera, 56 anos, e Zoraide Santos Gomes, 73 anos. Lúcia é responsavel pelo plantio de várias roseiras, praticamente uma a cada metro de distância. As mudas ela mesma preparou retirando galhos das plantas que cultiva no bem cuidado jardim de sua casa. A beleza das rosas atrai a cobiça de pedestres que se atrevem a roubá-las. Aí entra o papel de Zoraide que se coloca como vigilante das flores. Quando alguém tenta pegar as rosas eu já grito pela Lúcia, afirmou.
Silva disse que pediu apoio da prefeitura, mas apenas a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) contribuiu no início do trabalho, com cerca de 40% das plantas. Um outro morador, Eraldo (Silva não soube informar o sobrenome), doou os materiais utilizados para a construção de passarelas para pedestres entre os canteiros.
A artista plástica Júlia Arns destaca que, além da beleza da rua e da mobilização dos vizinhos, a iniciativa de Silva já promoveu até a recuperação de um jovem que mora nas proximidades. O rapaz, conta, aproveitava o mato para esconder drogas e objetos roubados. Agora, ele se envolve nos cuidados dos canteiros e abandonou o vício e a prática das infrações.
Silva elaborou um projeto sugerindo à prefeitura descontos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para motivar outros moradores. O projeto foi entregue também a um vereador, mas até agora ninguém deu respostas. Mas isso não desanima os moradores. Estamos fazendo a nossa parte como cidadãos, justificou Silva.


