O mato está alto, a iluminação deficiente e o local é usado como ponto de uso de drogas e esconderijo de criminosos. O panorama poderia ser a descrição de inúmeras áreas espalhadas pelos quatro cantos de Londrina. Mas, desta vez, as queixas são de vizinhos do Zerinho, espaço de lazer localizado no Jardim Monte Belo, na Zona Sul.
O desânimo dos moradores com o que consideram um ''completo abandono'' da área é tanto que alguns estão desistindo de usar a pista de caminhada, que está tomada pelos buracos. O autônomo Jean Carlos Pereira, 37 anos, revela que prefere ir até o Zerão, na Área Central. ''(A pista) É muito precária. O pior é que quando chove, a enxurrada arrasta tudo e piora a situação'', comenta.
Uma alternativa é correr na rua, disputando espaço com carros e motos e correndo o risco de um atropelamento. Mas ainda há quem insista em enfrentar a interminável sequência de crateras. É o caso do estudante Jhonata Henrique Cabrera, 16. ''Comecei a correr agora e estou vendo de perto que a pista precisava de uma conservação bem melhor'', aponta.
A dona-de-casa Maria Joana Carvalho, 65, mora há 16 anos no bairro e conta que o abandono é histórico. E que tem saudades do tempo em que a Lagoa Dourada era cheia. ''Era muito mais fresco. O pessoal vinha pescar aqui. Acho que deviam encher a lagoa de novo'', sugere.
O mato só não é maior porque o aposentado Ricardo Lourenço de Souza, 74, que mora dentro do Zerinho, procura manter a área limpa. Ele é reponsável pela limpeza no quintal da casa dele, mas também faz a roçagem das proximidades. ''Sempre plantei e cuidei de tudo aqui'', garante.
Os moradores são unânimes em afirmar que o Zerinho precisa de uma revitalização total. E há um processo em andamento, de acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, para reurbanizar o local. Mas a concretização do sonho dos moradores depende de processos de licitação, que estão sendo elaborados pela Gestão Pública.
O secretário do Meio Ambiente Gerson da Silva explica que a idéia é construir uma barragem para voltar a encher a lagoa e reformar a pista de caminhada e a iluminação. ''Como as obras dependem de licitação, não tem como precisar prazos, mas vamos entregar a revitalização dentro do mandato do prefeito Nedson Micheleti'', assevera.
A solução de longo prazo, porém, não supre as necessidades imediatas dos vizinhos, em especial em relação ao mato alto. O diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali, informou que a roçagem do entorno foi feita na semana passada.
O controle do mato no espaço interno, porém, dependeria de autorização de órgãos ambientais, por tratar-se de uma área de preservação. ''Os interessados devem encaminhar pedidos às autoridades do setor, então poderíamos fazer a roçagem ali'', recomendou. Outra ação do poder público deverá ser a retirada da família de Ricardo de Souza, que mora no local há mais de 30 anos.

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