Deparar-se com rachaduras dentro de casa é sempre sinônimo de dor de cabeça, mas quando o problema surge da noite para o dia, provocando a interdição do imóvel em poucas horas, é sinal de que os moradores terão pela frente dias de muitos transtornos e de imenso trabalho. Atualmente, em regiões opostas de Londrina, pelo menos duas famílias vivem o drama de ter a casa correndo o risco de desabar, provavelmente por problemas na rede de distribuição de água.
No Conjunto Eucaliptos (Zona Leste), desde o final de agosto a dona de casa Maria Aparecida Carvalho Costa habita com o marido e filho uma dependência existente nos fundos da residência da família, localizado na Rua José Vargas. Dentro do imóvel onde viviam, as paredes exibem grandes rachaduras e várias estão amparadas por toras de madeira. A causa seria um vazamento na rede de água, que já causou desmoronamentos nas duas fossas existentes na frente da casa. ''Técnicos da Sanepar estiveram aqui antes do feriado (de Finados) e disseram que vão construir outra fossa, mas até agora não apareceram'', relata Maria Aparecida.
Na casa vizinha a situação é semelhante. Portão e muros estão tortos e um pedaço de madeira colocado por engenheiro que foi vistoriar o imóvel mantém em pé a fachada da casa. O proprietário, segundo Maria Aparecida, ainda não conseguiu ser atendido na companhia de água para saber o que deverá ser feito.
A dona de casa assinou, no dia 25 de outubro, um acordo com a Sanepar, em que a empresa se compromete a pagar R$ 9.980,00 para a recuperação dos danos causados ao imóvel devido ao vazamento. Atualmente a família espera pelo dinheiro para começar a reforma. ''Vou ter que fazer uns remendos, porque o valor não vai ser suficiente para reconstruir tudo'', prevê Maria Aparecida.
No Jardim Bandeirantes, Zona Oeste de Londrina, a auxiliar administrativa Márcia Moraes da Silva e sua mãe vivem drama semelhante desde a última sexta-feira, quando acordaram com o barulho de um grande vazamento de água no quintal. Em pouco tempo o carro estava alagado na garagem, as paredes começavam a apresentar rachaduras e o piso, em vários locais, começava a afundar. No mesmo dia o imóvel, que fica na Rua Serra da Borborema, foi interditado pelos bombeiros, e de lá para cá os problemas só estão se agravando. ''Minhas coisas estão espalhadas pela vizinhança, e cada dia dormimos em um lugar.''
Na quarta-feira a situação se agravou, e os bombeiros interditaram também as duas outras casas que ficam no mesmo terreno. Márcia recebeu uma proposta de ressarcimento por parte da Sanepar, mas considera o valor oferecido R$ 6,8 mil insuficientes para a recuperação do imóvel.
Procurada pela reportagem, a Sanepar informou, através da assessoria de imprensa, que casos como o do Jardim Bandeirantes e do Jardim Eucaliptos ocorrem, em média, três vezes por mês. ''Todos os custos de reparação dos imóveis, regularizados, onde é comprovada a responsabilidade da Sanepar pelo dano, são ressarcidos'', informa.
Segundo a empresa, o processo referente ao imóvel de Maria Aparecida Costa está em andamento e ainda nesta semana deve ser iniciada a construção da fossa, conforme acordo feito com a moradora. O ressarcimento, informou a Sanepar, deve ser liberado nos próximos 30 dias.
A companhia de água esclarece ainda que o rompimento da rede de distribuição de água pode ser provocado por vários fatores, como o desgaste natural do material, a movimentação do solo, o trânsito pesado ou intenso, raízes de árvores e, ainda, por acidente na ocasião da escavação do solo para a execução de serviços públicos ou particulares.

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