Moradores contabilizam prejuízos
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Pontes, placas e muros caídos. Trechos de avenidas e tubulações pluviais ruídos. Creches, estabelecimentos comerciais e casas alagadas. Além de móveis, eletrodomésticos e veículos perdidos. Este é o rastro que a forte chuva que assolou Londrina neste final de semana deixou por toda a cidade.
A FOLHA percorreu ontem diversas regiões afetadas pela chuva e conversou com os moradores que ainda retiravam lama de suas casas e contabilizavam os prejuízos. Na Zona Oeste, a manhã foi de muito trabalho para os moradores da Rua Vicente de Carvalho, no Jardim Universitário. Moradora de uma residência localizada em frente ao Lago Igapó 3 há 10 anos, a professora de espanhol Graciela Anóbile e os quatro filhos aproveitaram o domingo para recolher os poucos objetos que ainda restavam intactos na casa.
Visivelmente abalada, a professora contou que o volume de água que invadiu a residência em menos de 15 minutos não permitiu que ela e os filhos pudessem salvar muitas coisas. ''Durante todos estes anos que moro aqui, eu nunca tinha visto uma chuva como essa. Perdemos tudo o que tínhamos com a enchente. Essa noite dormimos na casa de familiares, mas nos próximos dias, não temos para onde ir.''
Ainda retirando a água dos quartos, a vizinha Patrícia Souza, moradora do bairro há quatro meses, afirmou que ficou muito assustada com a quantidade de água que acabou invadindo todos os cômodos da casa. ''Perdemos geladeira, máquina de lavar louças e alguns móveis'', mencionou, detalhando que ela e as outras duas colegas que moram na casa tiveram que deixar a casa de madrugada para dormir na sede da associação de moradores do bairro.
Na Área Central, o trecho da Avenida Harry Prochet em frente à barragem do Lago Igapó 1 cedeu e levou junto uma placa. A pista foi parcialmente interditada por agentes da Companhia Municipal de Trânsito (CMTU).
Na Zona Leste, a perda dos poucos móveis que tinham, de um automóvel e de uma motocicleta, devido ao aumento do nível do Ribeirão Quati, deixou desesperada a família da aposentada Rosângela dos Anjos. Ela, os irmãos e a mãe são todos vizinhos e moram na Rua João Moreno, no Conjunto Mister Thomas, em frente ao ribeirão. ''Quando eu vi a água subindo, eu corri para a minha cama e fiquei ali olhando a água subir. É claro que eu fiquei tremendo de medo de ficar sozinha ali, mas eu não tinha para onde ir. O jeito foi esperar tudo baixar'', recordou Rosângela.
Inconformado com a situação dos moradores do bairro, o polidor de carros Juscelino Marques atribuiu o transbordo do ribeirão à fragilidade das tubulações. ''Não precisa ser engenheiro para perceber que estes canos não iriam aguentar o volume de água que vem do Leonor e do Santa Rita'', disse. ''Agora o que nós queremos é uma providência da administração. Até agora, ninguém veio até aqui ver a nossa situação e os prejuízos que tivemos.''
Ainda na Zona Norte, o Cemitério Jardim da Saudade perdeu de 30 a 40 metros do muro lateral (ao lado da avenida Alexandre Santoro), que não suportou a chuva e ruiu. No Jardim Nova Olinda, vizinhos à obra de transposição da linha férrea continuavam sem poder sair de casa com qualquer veículo devido ao barranco que desmoronou.


