Os agricultores prejudicados pelo temporal de 19 de janeiro no Distrito de Guaravera (Zona Sul de Londrina), ainda contabilizam as perdas e esperam por apoio das autoridades. Três famílias permanecem abrigadas de maneira provisória em imóveis da Associação de Moradores da Vila Rural das Orquídeas. As casas foram invadidas pelas águas do Ribeirão Taquara e os proprietários afirmam que não pretendem retornar por medo de novas inundações.
O produtor rural Cícero de Paula Pereira, 35 anos, contabiliza que o prejuízo com a perda do plantio de tomate, pepino e berinjela foi de aproximadamente R$ 25 mil. Grande parte da lavoura estava prestes a ser colhida. ''Não tem como voltar a plantar aqui porque posso perder tudo de novo. Também não arrisco morar aqui, não'', afirmou. O sustento da família está sendo garantido por duas cestas básicas recebidas da prefeitura que estão quase no final e o salário da mulher, que é empregada doméstica. O casal tem dois filhos, de 13 e 14 anos.
Uma pequena parte da lavoura de tomate está sendo aproveitada para consumo próprio. Uma estufa de 1.500 metros quadrados, com uma plantação de jiló mantida na forma de arrendamento em terreno vizinho, é a única fonte de renda não levada pela chuva. O diretor da Defesa Civil em Londrina, Rosalmir Moreira, disse que móveis e colchões doados pela comunidade foram encaminhados para as famílias desabrigadas na região. ''Vou checar a situação das famílias abrigadas na vila rural para saber sobre as doações'', afirmou.
Pereira revelou ainda que a cobrança da prestação de R$ 21,11 da permissão de uso da área da Vila Rural não foi suspensa pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). A Folha tentou entrar em contato com a empresa na tarde de ontem, mas não obteve sucesso. O agricultor apresentou o recibo da última prestação, onde consta que o valor de R$ 7,37 é destinado ao seguro da propriedade. ''Só não sei se o que está segurado é somente a lavoura ou a casa também.''
Ele revela que a enchente de janeiro foi a segunda em pouco menos de dois anos. Em fevereiro de 2003, o prejuízo ficou em torno de R$ 20 mil. ''Estava planejando comprar um carrinho com o lucro dessa colheita. Agora não sei o que vou fazer, nem onde vou morar. Não dá para ser feliz desse jeito.''
Outra dificuldade foi a sujeira encontrada na água da torneira de algumas casas da Vila Rural das Orquídeas. Segundo os moradores, o problema foi resolvido poucos dias após o temporal, com a limpeza do poço artesiano que abastece o bairro. ''A água estava bem marrom. Tivemos que usar para beber e estava com um gostinho meio diferente. Mas usamos a água da caixa para cozinhar e, graças a Deus, o conserto foi rápido'', comemorou o agricultor Jeovaci Moreira da Silva, 52, morador do bairro rural há dois anos.
A vizinha Maria Cleusa Campos, 39, disse que a família teve de usar água da chuva para cozinhar. Também precisou buscar galões em propriedades de amigos. ''Pelo menos ninguém ficou doente por causa dessa água'', declarou.

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