Um projeto-piloto implantado no Jardim Colúmbia (zona oeste de Londrina) em novembro do ano passado, denominado Bolo de Fubá, reduziu em 30% o número de roubos, aumentou em 10% as apreensões de drogas e aumentou em mais de 100% o número de prisões por tráfico no bairro. A dona de casa Lúcia Alves Ribeiro Antônio, de 44 anos, relata que antes do projeto começar, os moradores do bairro eram frequentemente roubados. "Os ladrões entravam nas casas e levavam televisores e outros objetos com muita facilidade", relembrou.
Lúcia dá graças a Deus porque sua casa nunca foi roubada, mas lamenta que muitos vizinhos foram vítimas. "Tem uma rua aqui que era frequentada por uma molecada que ficava fumando maconha e andando para lá e para cá de motocicleta. Depois que foi criado o grupo, essa molecada sumiu", constata Lúcia.
Sua vizinha, a dona de casa Shirley Brambilla, também de 44 anos, relata que as pessoas viviam com medo, inclusive quando voltavam do trabalho. "Elas desciam a rua e no trajeto até suas casas eram abordadas por assaltantes", afirma.
Um recurso que tem auxiliado na diminuição da criminalidade e facilitado a aproximação entre policiais militares e os moradores do bairro é a ferramenta de mensagens instantâneas WhatsApp, que foi adotada experimentalmente. Foram criados quatro grupos, cada um com 100 membros, compostos por moradores e pela equipe da PM. Cada morador pode enviar uma mensagem quando avista alguém suspeito.
Shirley ressalta que a segurança mudou bastante depois que os grupos foram criados. "Fui uma das primeiras a participar do grupo do WhatsApp. Os policiais ficam no bairro o tempo todo e qualquer coisa estranha a gente publica no grupo e eles passam aqui", explica.
O capitão da Polícia Militar, Marcos Antônio Tordoro, é o coordenador do projeto em Londrina e foi o introdutor da ferramenta como meio de comunicação entre a população e a PM. "Os policiais estão todos os dias no mesmo bairro. Todo projeto de segurança tem que trabalhar a diminuição de índice criminal e devolver às pessoas a sensação de segurança. A equipe possui 20 integrantes que se revezam e são empoderadas para desencadear ações específicas para aquela região para que a população tenha a atenção que merece", destacou.

PROXIMIDADE
A equipe não se limita ao policiamento e, por vezes, ajuda na resolução de problemas que afetam à coletividade. "A equipe procura melhorar a qualidade de vida de quem mora na região. Certa vez conseguimos arrumar maquinários para melhorar a quadra de esportes, que possui uso público."
Muitas vezes a equipe ajuda em outros problemas corriqueiros. Lúcia relata que certa vez sua gata ficou presa em um buraco entre dois muros. "Eu chamei o Corpo de Bombeiros e a Polícia Ambiental, mas quem veio me socorrer foi a equipe do Bolo de Fubá", relembra.
O soldado Arthur Crincev, que integra a equipe que patrulha o Jardim Colúmbia, relata que sempre procura saber das necessidades que os moradores possuem. "O WhatsApp é um meio informal de nos comunicarmos e deixamos para questões menos graves. O meio oficial continua sendo o telefone 190", ressalta.
O projeto Bolo de Fubá recebeu esse apelido porque parte da premissa que a PM deve se tornar tão próxima da população a ponto de um morador convidar algum soldado para tomar café e comer um bolo de fubá. "Se isso acontecer, o policial deve aceitar o convite, comer o bolo, ouvir a crítica e orientar o que for pertinente", explica o capitão Tordoro.
Crincev só lamenta que muitos moradores deixam de frequentar as reuniões com a PM. "Essas pessoas acabam não conhecendo o projeto e permanecem com aquela sensação de medo", ressalta.
O projeto está sendo expandido agora para os bairros João Turquino, Maracanã e possivelmente para o Sabará 3, todos na zona oeste. O comandante do 2º Comando Regional da Polícia Militar em Londrina, tenente-coronel Marcos Antônio Wosny Borba, destacou que a maior preocupação para a implantação é que o projeto fosse sustentável ao longo dos anos para que não fosse descontinuado. "É um modelo que possui semelhanças com a Unidade Paraná Seguro implantado no União da Vitória, mas que não necessita de toda a infraestrutura que existe por lá", enaltece.

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