Moradores colocam faixa protestando contra cheias
Emerson Cervi
De Curitiba
Com o verão, voltam as pancadas de chuva forte no fim da tarde. Em Curitiba, nesse período, é normal chover até mais de 35 milímetros em menos de uma hora. Isso preocupa moradores de regiões baixas ou próximas a riachos que cortam a cidade. As chuvas normais de domingo e segunda-feira foram suficientes para causar alagamentos em vários pontos da cidade.
Escaldados pela grande cheia do dia 24 de fevereiro de 1999, quando em menos de duas horas houve uma precipitação de mais de 100 milímetros, moradores da Rua Emílio Menezes, no Bom Retiro, começaram ontem uma campanha contra enchentes. Eles exigem obras preventivas da prefeitura para evitar mais prejuízos e riscos de vida com a cheias do rio Pilarzinho. Eu perdi tudo o que tinha em fevereiro e durante todo esse ano a prefeitura só cortou o mato nas margens do rio, reclamou ontem o artista plástico Eudo Seixas, 36 anos.
Moro aqui há 29 anos e até cinco anos atrás não tínhamos problemas, mas os novos loteamentos que estão sendo construídos impermeabilizam o solo e fazem com que toda a água das chuvas escorra diretamente para o rio, disse. Os moradores dizem que existe um projeto na Secretaria Municipal de Obras que prevê a canalização de um trecho de 300 metros do rio Pilarzinho. A melhoria seria entre a rua Tapajós e rua Nilo Peçanha. O projeto custaria R$ 1,2 milhão e resolveria nosso problema, mas ninguém na Secretaria da Obras explica porque ele não sai da gaveta, afirmou.
Para o Secretário Municipal de Obras, José Eduardo Conter, a manifestação dos moradores da Rua Emílio de Menezes - próximo à Secretaria - foi uma surpresa. Estamos há três quadras desse local e ninguém veio solicitar uma reunião para tratar do assunto, ao invés disso eles preferem colocar faixas nos muros. Segundo Conter, a canalização daquele trecho do rio Pilarzinho não foi incluído no plano de obras da prefeitura para o ano 2000. Uma obra com esse custo precisa ter um previsão orçamentária, talvez para 2001 mas com certeza não poderemos fazer no próximo ano, disse.





