Moradores cobram solução de duplo assassinato
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Exatamente um ano depois do assassinato do casal de professores Luiz Ernesto Eilert, 26 anos, e sua mulher, Elaine Muller Carli, 25, em Coronel Domingos Soares (Sul do Estado), familiares, amigos e lideranças da cidade organizaram ontem uma mobilização para provar que o crime, ainda sem solução, não se apagou da memória. O protesto visa ainda chamar a atenção para questão de falta de segurança na região.
Ocorrido em 23 de junho de 2007, as mortes chocaram a cidade de cerca de sete mil habitantes. Luiz Ernesto e Elaine foram assassinados com três tiros cada, em uma estrada rural do município. A brutalidade das mortes fez com que a polícia considerasse que os dois tenham sido executados. Uma missa campal e uma caminhada até o local dos assassinatos marcaram a mobilização em memória do casal. ''Toda a cidade parou e o comércio fechou em apoio aos familiares'', descreveu Dirceu Nunes, que pertence à família de Elaine.
Segundo ele o protesto serviu como forma de pedir justiça e paz, cobrando das autoridades uma solução para os assassinatos. A família reclama da falta de agilidade da polícia e do modo como o caso foi tratado no início. Ele disse que pistas foram apagadas no local do crime. Para ele, este é um dos motivos para que os as mortes permaneçam tanto tempo sem solução. ''Agora, só pedimos que a Justiça elucide o caso. Não vai resolver a dor da família, mas vai amenizar'', disse.
O crime teve tanta repercussão que chamou a atenção da Comissão de Direitos Humanos da Câmara do Deputados de Brasília. Em setembro do ano passado, membros da Comissão estiveram em Curitiba realizando uma audiência pública para discutir o caso e acompanhar o motivo da demora em apresentar solução. Na mesma época, duas mil pessoas se reuniram em Coronel Domingos Soares para pedir justiça e um esclarecimento para o crime.
O delegado responsável por investigar as mortes, Renato Figueroa, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), de Curitiba, afirma que dentro de um mês espera solucionar as mortes. ''Foi um crime muito complexo. Há uma ausência de motivos e testemunhas. Era um casal de boa índole e sem antecedentes'', diz, sem dar detalhes.


