Moradores cobram providências contra pombas
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quarta-feira, 31 de maio de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A constatação de que a superpopulação de pombas em Londrina se tornou um problema grave e descontrolado começa a provocar reações tanto no poder público quanto na sociedade civil. Ontem à tarde, a promotora Solange Vicentin se reuniu com representantes das secretarias de Meio Ambiente (Sema) e Saúde, Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), UEL e Unifil.
Ficou decidido que todos esses órgãos irão trabalhar no manejo integrado das pombas, que já são pelo menos 170 mil só no Centro de Londrina, de acordo com estudo da Sema divulgado pela Folha há duas semanas. A ação também deverá agregar autoridades de outros municípios. ''Constatou-se que o problema é regionalizado. Não dá para pensar apenas em espantar as pombas para outros locais. É preciso encontrar meios de controle'', afirmou Solange.
A promotora disse que irá enviar ofício hoje à UEL solicitando uma análise sanitária e o monitoramento das pombas. Será necessário ainda decidir que órgão irá arcar com os custos desse estudo. O diretor de Saúde Ambiental de Londrina, Maurício Barros, disse que o Município está preocupado com possíveis doenças que essas aves possam transmitir.
Barros informou que a CMTU se comprometeu a tomar providências a curto prazo para conciliar a limpeza das vias centrais da cidade diariamente forrada com fezes de aves com o cuidado ambiental. A lavagem do Calçadão, Bosque e ruas adjacentes estaria levando coliformes fecais para as galerias pluviais e, consequentemente, aos rios. As duas soluções estudadas, segundo o diretor, são sugar a sujeira removida do chão e lançá-la na rede de esgoto ou aplicar um produto biodegradável. Uma nova reunião foi marcada para o próximo dia 20.
De outro lado, moradores do Centro de Londrina estão fazendo um abaixo-assinado para cobrar providências. O documento, encabeçado pela professora Matilde Cavalcanti, já ganhou mais de 300 assinaturas. ''Estamos pedindo ao poder público que dirija sua atenção para o estado de abandono, falta de higiene e de cuidados nas proximidades do Bosque. Solicitamos também que os galhos das árvores sobre as calçadas sejam podados, para evitar o acúmulo de fezes das aves que ali pernoitam'', disse.
Matilde e outros moradores da região crêem que as pombas já estejam causando doenças. ''Nos últimos dois meses, várias pessoas têm apresentado irritação na garganta, nos olhos e na pele, inclusive eu'', afirmou. A funcionária pública Maria Lúcia Vieira disse que aderiu ao abaixo-assinado porque, em 30 anos trabalhando no Centro, nunca viu o problema das pombas tão crítico. ''A gente tem que andar devagarinho quando chove porque as ruas ficam escorregadias'', ressaltou. O abaixo-assinado foi distribuído em cerca de 20 pontos do Centro, entre lojas, escolas e igrejas, e ainda está disponível.


