Enquanto esteve trabalhando no Japão, a dona-de-casa Sueli de Lima sempre perguntava para a mãe, em Londrina: ''Já passou o asfalto na rua de casa? Senão, não volto''. Voltou, mas a rua da casa dela, no Jardim Professora Marieta (Zona Norte), continua sem pavimentação. ''É que eu e minha mãe temos bronquite, por isso precisava tanto de asfalto aqui. Quando fica muito tempo sem chover, a gente adoece com a poeira'', justifica.
Mas o caso delas não é o único. A mãe da vendedora Valmira dos Santos, 56 anos, também sofre com o pó. ''Ela tem 87 anos e tem bronquite. Depois que passaram esses pedriscos aqui, só piorou. Esse cimento que sai é muito prejudicial'', afirma. A rua dela - e outras 11 do bairro - começaram a ser asfaltadas em 2004, como conta o aposentado Jonas Rosa da Conceição, 75 anos. ''Eles começaram, só que pararam. Faz dois anos que está desse jeito'', reclama.
A dona-de-casa Guilhermina Moreira, 72 anos, diz estar preocupada, porque no imóvel dela apareceram várias rachaduras. Sueli também reclama do problema e afirma que a falta de pavimentação é que está abalando a estrutura das casas. ''Passa caminhão e treme tudo. Com o tempo só vão aumentado as rachaduras.'' Ela ainda conta que uma vizinha precisou ficar dois meses com um tampão no olho, pois foi atingida por uma pedra quando um carro passou em alta velocidade na rua.
As obras de pavimentação do bairro foram liberadas em 2004 e foram custeadas com recursos do programa estadual Paraná Cidade. ''A questão é que a empresa licitada quebrou e não terminou o serviço'', explica o secretário de Obras do município, Aloysio Crescentini de Freitas. Ele garante que, após o processo eleitoral, a Secretaria deverá refazer a parceria com o Programa para que seja licitada outra empresa.
Mesmo assim, o comerciante Nivaldo Teixeira de Oliveria é categórico: ''Independente do que aconteceu, a comunidade quer uma resposta da prefeitura. A verba foi liberada, então cadê o dinheiro?''. Freitas argumenta que o próprio Paraná Cidade retém a verba quando acontece da empresa não terminar a obra. ''O dinheiro está lá, liberado, mas os contratos precisam ser retomados'', esclarece.
Os moradores também reclamam que depois que as ruas foram niveladas e preenchidas com pedriscos, o valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) aumentou. ''Ficou mais caro, mas cadê os benefícios? Muitos políticos até já usaram essa obra em campanha. Só que precisava ter terminado, né?'', ironiza Conceição.
O secretário da Fazenda de Londrina, Wilson Sella, garante que a planta de valores do IPTU é a mesma desde 2002. ''O que acontece é que cada proprietário pode ter modificado a edificação, alterando o valor do imposto. Aí, são casos individuais e não regra geral'', afirma.

mockup