Há pelo menos seis anos, a reclamação é a mesma no Distrito São Luiz, na zona leste de Londrina. A luta dos quase 2 mil moradores é para ampliar o horário de atendimento do único posto de saúde da localidade. Na manhã de ontem, um grupo se reuniu para fazer uma manifestação e cobrar uma solução da administração municipal.
Atualmente, a unidade do São Luiz funciona de segunda a sexta, das 8 às 15 horas. E é esse o motivo da queixa dos usuários da unidade básica de saúde, já que o horário, segundo eles, dificulta o acesso ao atendimento, principalmente para quem trabalha em horário comercial. A comunidade pede que o expediente seja estendido ao menos até as 17 horas, a exemplo do que acontece em outros distritos, como o Patrimônio Regina.
"É bem difícil, pois se a gente precisar de um atendimento depois das 15 horas, temos que ir a Londrina. A maioria do povo que mora aqui trabalha em Londrina e o posto fecha muito cedo", reclamou a empregada doméstica Bernardete Ozelame. Ela diz que diversas vezes moradores foram obrigados a buscar atendimento em Londrina, encarando uma viagem de pelo menos 40 minutos e que pode custar até R$ 100 de táxi. "Isso é constante. Aí acontece que a gente tem que ir direto para a UPA [Unidade de Pronto Atendimento] do Jardim Sabará (zona oeste) e quando chega lá eles ainda questionam por que a gente não procurou o posto. É complicado", desabafou.
Morador do distrito há quase 60 anos, o aposentado José Delmonaco Neto diz que a cobrança e o prejuízo da população são antigos. "Nós já cobramos inúmeras vezes, mas chegou a hora de resolver de uma vez. Acredito que não estamos cobrando nada demais. Por que nos postos dos outros distritos o atendimento vai até às 17 horas aqui só até as 15? Está na hora de rever tudo isso aí, porque estamos sendo prejudicados", cobrou.
A dona de casa Maria de Nazaré diz ainda que algumas vezes nem mesmo o horário oficial é cumprido. "Já aconteceu de chegar aqui meio-dia e a médica já ter ido embora", contou.
Outra queixa do grupo é quanto a remédios. Segundo eles, também é recorrente a falta de medicações básicas no posto de saúde. "Já pedimos uma farmácia aqui, com mais remédios, porque não temos farmácia (privada). Quando a gente precisa tem que ir a Londrina ou pedir para alguém trazer", falou Delmonaco.
Os moradores já registraram as queixas em uma carta entregue à Prefeitura de Londrina, em 20 de novembro, mas nenhuma resposta havia sido dada até ontem, quando, para surpresa dos moradores, o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, chegou no meio do protesto para ouvir as queixas dos moradores. Ele justificou que a unidade fecha às 15 horas para respeitar regras trabalhistas. "O tempo de locomoção de ida e volta do servidor é computado como hora de trabalho, por isso essas duas horas a menos correspondem ao que estabelece a legislação. A ampliação desse atendimento implica em hora extra, em despesa", explicou.
Martin garante, no entanto, que o pedido dos moradores será estudado. "Vou analisar o pedido de extensão, mas isso não vai resolver exatamente os problemas que eles têm, que são os casos em que ocasionalmente a pessoa tem mal-estar e precisa de atendimento fora do horário de expediente, que é o problema da estrutura toda. Para isso, temos o Samu", detalhou. "Fato é que o atendimento que a população demanda está sendo feito. Tem vaga para amanhã (hoje) na agenda, não há fila de espera na agenda", observou. De acordo com a direção do posto, são realizados em média 60 atendimentos diários.
Sobre a falta de remédios, o secretário promete buscar uma solução na própria rede municipal. "Os medicamentos que temos na farmácia (municipal) são os básicos, de maior volume de consumo. Pedi para levantar os medicamentos que tem aqui e os que temos em nossa lista, e o que estiver faltando, se estiver, vou pedir para que seja encaminhado para cá", disse. A previsão, segundo Martin, é que o problema seja resolvido nos próximos dias.

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