Certos bairros afastados da Área Central de Londrina têm clima semelhante a cidades pequenas. A tranqüilidade e os hábitos simples fazem parte da rotina dos moradores. Mas algumas vezes a selvageria dos grandes centros urbanos invade a vida dos habitantes dessas localidades. É o caso do Parque das Indústrias (Zona Sul), onde atividades cotidianas como ir para a escola ou padaria transformaram-se num risco diário por causa dos abusos cometidos por motoristas, motoqueiros e pedestres.
  Alguns moradores apontam a falta de sinalização e iluminação adequadas como as principais causas do risco constante de acidentes. Nem mesmo um protesto com fechamento de rua e pneus queimados foi suficiente para sensibilizar as autoridades, que ainda não tomaram conhecimento da aventura diária que é circular pelas ruas do bairro.
  As maiores vítimas potenciais são os alunos do Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, localizado na Rua Jacarezinho. No final da tarde, eles tomam as ruas do bairro e são obrigados a dividir espaço com carros e motos. É comum verificar que motoristas abusam da velocidade. Já os motoqueiros têm o hábito de transformar as vias públicas em pistas de manobras radicais. Anteontem, por volta das 17h30, a reportagem flagrou ‘‘pilotos’’ empinando suas motos ao lado dos estudantes que voltam para casa. E também não é raro ver pedestres andando nas ruas em vez de usar as calçadas.
  Enquanto isso, um projeto de reforço de sinalização para a Rua Mitomo Simamura, que fica perto da escola, está pronto. O problema é que ainda não saiu do papel. E para quem sofre com os abusos no trânsito só resta reclamar. ‘‘O trânsito deixa todo mundo aqui muito preocupado. Já fizemos vários pedidos de solução e até um protesto e até agora não conseguimos nada’’, queixa-se o encanador aposentado Abílio José Ferreira, 59 anos.
  E Ferreira já sentiu de perto as conseqüências do trânsito perigoso do bairro onde mora há mais de 35 anos. Cerca de seis meses atrás, o pai dele, Agibe José Ferreira, então com 85 anos, morreu após ser atropelado por uma moto na frente de casa, na esquina das ruas Mitomo Simamura e Antonina.
  O pioneiro do Parque das Indústrias voltava da padaria, que fica do outro lado da rua, quando foi atingido por um motoqueiro, que ainda teria tentado fugir sem prestar socorro. O acidente motivou um protesto com fechamento da rua, mas até agora o que conseguiram foi a poda de árvores para melhorar a iluminação do local.
  A aposta da diretoria do Colégio Albino Feijó Sanches para reduzir o risco de desastres na região é na educação. Os 2.200 alunos da instituição assistem palestras periódicas da equipe da Escola de Trânsito. ‘‘Orientações os estudantes recebem. Mas seria importante ter também um reforço na sinalização na região da escola’’, cobra a diretora-auxiliar Dirce Clair Gonçalves Alves.
  E o desejo dos moradores da área deve se materializar ainda esse semestre. Quem garante é o diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior. O reforço de sinalização vertical e horizontal está no cronograma da instituição. ‘‘Vai resolver os problemas desde que as pessoas obedeçam a sinalização’’, adverte. Após a implantação, campanhas educativas e reforço da fiscalização estão previstos para coibir os abusos no trânsito do bairro, com o intuito de restaurar a tranqüilidade perdida.

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