Moradores do Jardim Nova Esperança, zona sul de Londrina, realizaram ontem, pela manhã, uma reunião para discutir a segurança do bairro. Em apenas um dia, na última sexta-feira, três arrombamentos foram registrados na região. Desde o início do ano, o Nova Esperança computou 18 roubos a residências e estabelecimentos comerciais.
Segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, Renato Vandré, há três semanas a empresa que vendia gás de cozinha na região deixou de enviar caminhões ao Nova Esperança. Os veículos da fornecedora foram assaltados cinco vezes em poucas semanas. Os caminhões que levavam bebidas e mercadorias de supermercados também passaram a evitar o bairro, a exemplo dos mototaxistas.
O Nova Esperança existe há cinco anos e meio; tem 284 residências e pouco mais de 600 habitantes. Na reunião de ontem, Vandré enfatizou a necessidade dos moradores fazerem denúncias à polícia sobre os crimes praticados na região. ''Como os ladrões sabem quando uma casa fica vazia? Como sabem até que hora não há ninguém numa residência? Só podem saber porque deve ter gente da comunidade passando informação. É preciso denunciar e isso pode ser feito anonimamente. Ninguém precisa se expôr'', disse o presidente.
Vandré pretende entrar em contato com as polícias Civil e Militar nesta semana para explicar a situação. ''Pedirei medidas preventivas. Antes que algo pior aconteça'', afirma o presidente. O bairro não registrou nenhum homicídio este ano. Ontem, a PM foi convidada para participar da reunião, mas não mandou nenhum representante. Os moradores também planejam pedir ajuda à prefeitura, para melhorar as condições de moradia da região.
A dona de casa Rosenilda Pereira acredita que o Nova Esperança está exposto à ação de criminosos porque as ruas têm muito mato e existe apenas uma via de acesso ao bairro. ''Já me roubaram duas vezes aqui. Na primeira, eu estava fora e arrombaram a casa em plena luz do dia. A segunda vez foi na semana passada. De madrugada, os cachorros começaram a latir e eu fui ver o que era. Vi um rapaz correndo, fugindo com uns tijolos que pegou no meu quintal. Acho que ele e mais um parceiro estavam roubando tudo aos poucos, porque dei pela falta de 150 tijolos'', diz Rosenilda.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, explica que o Nova Esperança não é considerado uma região com números críticos de criminalidade, mas não descartou ajuda. ''Pedimos que a população nos comunique sempre tudo o que for possível. Muitas vezes, não é a ronda no local que resolve o crime, mas sim a informação que nos é passada'', diz o delegado. A Folha não conseguiu localizar ontem, pela manhã, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), coronel Rubens Guimarães.

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