Os moradores de uma ocupação em um fundo de vale no Jardim Pindorama (zona leste), em Londrina, planejam realizar um protesto na Companhia de Habitação (Cohab) hoje, a partir das 9h30. As 17 famílias que residem no espaço, às margens do Córrego das Pedras, estão insatisfeitas com a falta de energia elétrica e de água encanada.
No começo do mês, a Copel fez uma inspeção no fundo de vale para averiguar a existência de ligações clandestinas de energia elétrica, os chamados ''gatos''. Foram encontradas fiações irregulares em seis barracos, cujos proprietários estão sendo alvo de ações na Justiça. ''Só que estamos aqui desde março de 1999, sempre pedindo postes e uma água decente e nunca fomos atendidos'', reclamou Ivone Aparecida Félix Pereira, moradora da ocupação.
Ela afirma que, na semana em que a Copel retirou os ''gatos'', uma comissão de moradores procurou a Cohab e exigiu melhores condições de moradia. O presidente do órgão público, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, teria prometido melhorias e não voltou a falar com os habitantes da ocupação.
A falta de água encanada obriga a população a utilizar a água do Córrego das Pedras, que precisa ser fervida, já que está cheia de impurezas e cheira muito mal. No caso da ausência de energia elétrica, os moradores vêm utilizando velas, mas afirmam que, se os postes não estiverem instalados na ocupação até o final da semana, pretendem reativar as ligações clandestinas. ''Não podem nos considerar criminosos, somos gente decente. Fiz o 'gato', e em uma semana a Copel arrancou. Pedimos poste e até agora nada. Minha mulher está grávida, não podemos ficar sem energia'', explicou José Maria Diocesano de Souza, desempregado há seis meses.
Entre as 17 famílias na ocupação, a maioria tem crianças pequenas. A própria Ivone tem duas filhas, uma de dois anos e Rúbia, de dois meses. A família vive num barraco apertado, de dois cômodos, e, na falta de água encanada, amigos de outros bairros ajudam trazendo garrafas de água filtrada. Para trocar as fraldas de Rúbia, Ivone utiliza luz natural, que entra no barraco por um buraco no teto. ''Queria ver a mãe de um político na minha situação'', ironizou a moradora.

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