Moradores cobram duplicação de avenida
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sexta-feira, 03 de dezembro de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Moradores da Zona Sul de Londrina ameaçam interromper o trânsito na Avenida Guilherme de Almeida por tempo indeterminado se as obras de duplicação da via, paradas há quatro meses, não tiverem continuidade. Representantes da comunidade se reuniram ontem no Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic) do Jardim União da Vitória e marcaram o protesto para o próximo dia 14. O secretário de Obras do município, Aloysio de Freitas, e o vereador João Abussafi, proprietário do terreno onde fica a avenida e responsável pela duplicação, foram convidados, mas não compareceram ao encontro.
O presidente do União Esporte Clube, Eder Campos de Souza, afirmou que a duplicação é reivindicada pela comunidade há um ano. ''A região sempre foi conhecida como perigosa para pedestres. Pelo menos um acidente por semana acontece no local, em especial nas proximidades do Caic, onde a concentração de crianças é grande'', explicou.
Apesar de não considerar a avenida mais perigosa que outras vias de grande movimentação na cidade, o comandante da Companhia de Trânsito de Londrina, tenente Ricardo Eguedis, concordou que a duplicação reduziria os riscos de atropelamento. ''Falta consciência ao motorista e a duplicação, facilitando o fluxo, ajudaria a diminuir a quantidade de pedestres na rua'', considerou.
As obras, segundo Souza, foram iniciadas há 18 meses. ''Mas fizeram somente a terraplanagem e a instalação de tubos para as galerias pluviais. Depois disso, parou tudo'', descreveu. Na opinião da presidente do Conselho de Segurança da Zona Sul, Salete Rodrigues da Cruz, a paralisação agravou o problema. ''Destruíram a calçada que existia no local para a terraplanagem e agora os pedestres têm que disputar espaço nas ruas, com os carros'', disse.
De acordo com a presidente do Conselho de Mulheres da Zona Sul, Leonice Araújo Ferrari, uma reunião foi promovida entre a comunidade e representantes da prefeitura há quatro meses, quando um atropelamento no local teria provocado a morte de dois pedestres. ''Acho que a situação os impressionou e retomaram as obras. Mas não adiantou, porque logo depois elas pararam de novo'', lembrou.
Leonice destacou a revolta da população dos bairros da Zona Sul e reforçou a ameaça de interrupção do trânsito na avenida. ''Será que vão esperar mais gente morrer para fazer alguma coisa? Vamos comunicá-los de nossa decisão com um ofício e se não fizerem algo até o dia 14, vamos protestar'', garantiu Leonice, durante o encontro, coordenado pelo vereador Nelson Cardoso (PT).
O vereador João Abussafi disse à reportagem da Folha que compromissos pessoais o impediram de participar da reunião no Caic. Segungo ele, a construtora Abussafe, proprietária do terreno, aguarda apenas a aprovação das diretrizes de um loteamento no local para reiniciar as obras. ''Não podemos gastar dinheiro com a duplicação se não tivermos a garantia de que o terreno será liberado para loteamento'', explicou.
O secretário de Obras, que alegou compromissos profissionais para não participar da reunião, disse que, em uma consulta prévia, o loteamento já foi aprovado pela pasta, Ele, inclusive, teria garantido ao vereador que as diretrizes serão igualmente aprovadas. ''A documentação está sendo analisada e o loteamento será aprovado nos próximos dias. Já recomendei ao vereador que retome as obras, pois sabemos que é uma questão urgente'', concluiu.


