Imagine ter um problema de trânsito na porta de casa. Em Londrina, a situação é bastante comum. Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), nove em cada dez demandas que chegam ao órgão estão relacionadas a gargalos do sistema viário, como pedidos de colocação de quebra-molas ou semáforos, pintura de faixas e mudanças de sentido de ruas. Entre os cidadãos, ainda há dúvida sobre o que fazer quando a situação pede uma solução técnica.
Na Rua Fernando Monteiro Furtado, na Gleba Palhano (zona sul), por exemplo, o estrangulamento é tão complicado que recentemente um caminhão do Corpo de Bombeiros, a caminho de um incêndio, enfrentou dificuldades para passar pela via. Outro problema é que o caminhão de coleta de lixo precisou fazer várias manobras para transitar pela via, que é de mão dupla e tem estacionamento dos dois lados. O transtorno motivou os moradores a fazer um abaixo-assinado para chamar a atenção do poder público para a necessidade de modificar o trânsito no local.
A luta para que a rua se torne mão única ou que tenha um dos lados com estacionamento proibido já se arrasta há mais de um ano. De acordo com o síndico de um edifício naquela rua, David Rogério dos Reis, é impossível que dois carros passem em sentidos opostos ao mesmo tempo na via. Um dos motoristas sempre precisa ceder – às vezes estacionando em alguma vaga disponível ou andando de marcha a ré. Nem todos veem isso com tranquilidade. "Fim de tarde, temos um buzinaço na frente do prédio, com pessoas até xingando umas às outras. Isso também atrapalha quem está saindo ou chegando na garagem", comenta.
Reis observa que, após reclamações sobre o problema, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) chegou a proibir o estacionamento em parte da frente de um condomínio horizontal na mesma rua. A situação para o prédio onde ele mora e o restante da via, no entanto, segue a mesma. "Sentimos que houve privilégio para o outro condomínio. Mas nós também pagamos IPTU, são 352 apartamentos. Imagine quanto é recolhido de IPVA de pelo menos 350 veículos de moradores do condomínio? Só queremos ser atendidos", salienta o síndico.
Na também estreita Rua Foz do Iguaçu, no Jardim dos Bancários (zona oeste), a falta de sinalização confunde quem passa por ali. Acidentes são frequentes, conta a comerciante Cláudia Herter. "Ontem (terça-feira) à tarde mesmo tivemos batida na esquina", diz. No trecho próximo ao cruzamento com a Rua Voluntários da Pátria, faltam faixas amarelas onde uma placa indica que é proibido estacionar. No meio da via, a pintura que separa as faixas de rolamento está desgastada. O resultado são dezenas de carros estacionados onde não poderiam. "Do jeito que está, quem está dirigindo precisa avançar para a pista do outro, porque o lado deles está ocupado por carros", observa. Cláudia afirma que já fez diversos protocolos on-line junto à CMTU e ligou mais de 30 vezes para o órgão, a fim de tentar resolver o problema.
O corretor imobiliário José Luiz Figueira, morador de um edifício na via, também avalia que a rua precisa ser mais bem sinalizada. "Tem um trecho sem pintura amarela antes da placa de proibido estacionar. Isso gera confusão", assinala.
Segundo o assessor de trânsito do Ippul, Alexandre Adário, o problema da Fernando Monteiro Furtado também atinge outras vias da cidade. A causa, analisa, é o aumento no número de veículos transitando por Londrina. Ele afirma que uma reunião será feita com condôminos daquela rua para discutir uma alternativa. "Fizemos uma reunião semelhante com representantes da Gleba. Muito provavelmente tenhamos que proibir o estacionamento de um dos lados da rua, mas ainda será preciso estudar o que fazer", adianta.
Questões envolvendo a manutenção de sinalização, por sua vez, devem ficar a cargo da CMTU. Na Rua Foz do Iguaçu, uma minirrotatória será construída no cruzamento com a Tasso Fragoso. Conforme a companhia, o projeto para a obra já foi feito pelo Ippul e deve ser executado ainda neste semestre. Em seguida, deve ser feita uma nova pintura na sinalização vertical da via, o que incluirá o trecho que cruza a Voluntários da Pátria.
Demandas para a CMTU o órgão podem ser repassadas pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), no telefone (43) 3379-7968. Já no Ippul, o contato é o (43) 3372-8400.

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