Os moradores da Rua João Dranka, no Jardim Botânico, vão enviar ainda esta semana um abaixo-assinado ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) contra o uso da via para a implantação de um binário. Eles alegam que a obra comprometerá a tranquilidade do local e desvalorizará os imóveis. Os moradores reclamam que não foram consultados por técnicos da prefeitura para sugerir outras alternativas para a obra. Segundo o coordenador do programa Cidadão em Trânsito, José Álvaro Twardowski, nenhuma outra rua poderia ser usada neste caso. Ele salienta que o binário é a única solução para melhorar o tráfego na região e diminuir o número de acidentes.
O binário, que deve estar pronto até o final de 1998, vai deixar a Rua Governador Agamenon Magalhães, hoje mão dupla, com sentido único, ligando a BR-116 à Avenida Presidente Affonso Camargo. As ruas João Dranka e Roberto Cichon vão canalizar o tráfego no sentido contrário. A obra, de acordo com Twardowski, vai reduzir os congestionamentos na região e o número de acidentes na Agamenon Magalhães, avenida hoje com capacidade de tráfego saturada e que tem o fluxo de veículos complicado também por várias conversões à esquerda. ‘‘Os motoristas que fazem a conversão enfrentam o tráfego no sentido contrário. Os pedestres são obrigados a atravessar em duas etapas mas, como não há espaço para um canteiro central, acontecem muitos atropelamentos’’, diz. Este binário é um dos 28 previstos no programa Cidadão em Trânsito. Catorze já foram implantados.
Revolta - O vendedor Fábio Paccinin, 33 anos, que mora na Rua João Dranka há cerca de um ano, está revoltado com a implantação do binário. ‘‘Eu me sinto lesado e vítima de uma arbitrariedade do município’’, diz. Ele alega que comprou o apartamento em que mora porque a rua é calma. ‘‘Nós não somos contra a obra ou a melhoria da qualidade de vida da cidade, mas não aceitamos a decisão unilateral. Temos o direito de dar sugestões.’’ Paccinin lembra que ficou sabendo do binário por um feirante que participa da feira-livre que acontece na João Dranka às terças-feiras. ‘‘Acho um desrespeito. Eu fiquei decepcionado. A prefeitura deveria ter nos comunicado.’’ Ele diz que vai mudar de bairro se o binário for implantado.
O analista de sistemas Gian Franco Nercolini, 31 anos, morador da mesma rua, reclama que o sossego vai acabar. ‘‘Em metade dos 64 apartamentos do meu prédio vivem crianças menores de quatro anos’’, diz. Segundo ele, a solução encontrada pela prefeitura não é inteligente e nem positiva para os moradores do local. ‘‘Acreditamos que o ideal seria usar outras ruas próximas, que hoje já têm um tráfego mais intenso.’’

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