Curitiba

Leandro TaquesÉ fogoMoradores colocaram fogo na rua para marcar protesto contra alto índice de atropelamentos no Sítio CercadoRevoltados com o atropelamento de um menino de nove anos por um ônibus Ligeirinho, na sexta-feira passada, os moradores do bairro Sítio Cercado fizeram, ontem pela manhã, um protesto pedindo a colocação de lombadas e de sinalização adequada no local. O acidente aconteceu numa das ruas mais movimentadas da região, onde outras quatro pessoas já foram atropeladas neste ano. No protesto de ontem, os moradores interditaram a rua por mais de uma hora, queimando pneus no local onde o menino Douglas Antônio da Silva foi atingido pelo ônibus. Ele está internado no Hospital Cajuru com múltiplas fraturas e não corre risco de vida.
Segundo testemunhas, o menino havia ido até a panificadora do bairro, às 19h de sexta-feira, e se preparava para atravessar a rua quando um Ligeirinho da linha Bairro Novo o atropelou. Os moradores que presenciaram o acidente afirmam que o ônibus estava em alta velocidade e tentava ultrapassar outro veículo. Como a Rua São José dos Pinhais é estreita e com mão dupla, o Ligerinho acabou atingindo o garoto quando ele ainda estava próximo à calçada. Douglas fraturou a bacia, sofreu traumatismo craniano e teve os dois pulmões perfurados. Depois do atropelamento, o ônibus foi cercado pelos moradores e o motorista precisou ser retirado pela polícia.
Leandro TaquesJaqueline Faria passou dois dias em coma depois de ser atropelada
Segundo um dos coordenadores do protesto, Genésio Gonçalves de Oliveira, os moradores já haviam feito um abaixo-assinado pedindo providências à prefeitura em fevereiro de 1995. Além do pedido de colocação de lombadas, que obrigaria os veículos a diminuir a velocidade, os moradores também requisitavam a transferência de parte do tráfego da Rua São José dos Pinhais para outras vias paralelas. ‘‘Até hoje nada foi feito e cada dia o perigo aumenta’’, comenta. Hoje, há quatro linhas de ônibus que passam pela rua, considerada o principal acesso ao Bairro Novo, um dos mais populosos da cidade.
No início deste ano, outra criança, a menina Jaqueline Narloch Faria, de três anos, também foi atropelada numa esquina próxima ao local. Ela ficou dois dias em coma, teve a perna e o maxilar fraturados depois de ser atingida por uma carro. A mãe da menina, Elisângela Narloch Faria, afirma que o excesso de velocidade é comum nas ruas do bairro, que são mal sinalizadas e estreitas. Além disso, muitos motoristas de ônibus costumam cortar caminho por vias alternativas, não preparadas para o fluxo intenso de veículos.
Álbum de famíliaDouglas Silva voltava da padaria quando foi atingido por um ônibus
Enquanto as reivindicações dos moradores não são atendidas, a avó do menino Douglas, Maria Lange Ribeiro, pretende pedir indenização à prefeitura pelo acidente provocado pelo ônibus. Segundo a avó, ninguém se responsabilizou pelos gastos com o tratamento médico do menino.

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