Mário CésarPelo amor de Deus!A dona-de-casa Cleuza Santos pede providências para a segurança de pedestres: ‘Não queremos dinheiro nem comida; queremos vida’Revoltados com os constantes acidentes na PR-455, saída para Curitiba, onde estão sendo realizadas obras de duplicação, moradores do conjunto Tito Carneiro Leal, zona sul de Londrina, decidiram bloquear a rodovia. O protesto começou por volta das 8 horas. A rodovia foi fechada nos dois sentidos com galhos, tambores e pedras. Os manifestantes exigem mais segurança para os pedestres. Cerca de 400 escolares são obrigados a cruzar a rodovia diariamente.
‘‘Não queremos dinheiro nem comida. Queremos vida’’, dizia cartaz carregado pela dona-de-casa Cleuza Maria Santos, 49 anos, que se ajoelhou no asfalto para pedir providências. Segundo ela, o risco maior na travessia é para crianças e idosos.
Os moradores do conjunto, também conhecido por Saltinho, precisam atravessar a pista para ter acesso ao posto de saúde, comércio e escolas localizadas no Parque das Indústrias. No bairro onde moram, a escola atende somente até a 4ª série do 1º grau. Preocupadas com o risco da PR-445, muitas mães que trabalham fora decidiram tirar as crianças da escola. ‘‘Outras põem na mão de Deus’’, diz a moradora Benedita Francisca Cunha.
Recém-chegada ao bairro, Rosângela de Azevedo disse que nos 20 dias em que mora no Saltinho já presenciou cinco acidentes naquele trecho da rodovia. ‘‘Ninguém toma providências’’, dizia ela ontem, revoltada. Só no último domingo foram dois acidentes - um deles fatal.
Mário CésarPerigo constanteMoradores dão as mãos para impedir passagem de veículos: crianças e idosos têm maior dificuldade para atravessar a rodovia
Segundo os moradores, as principais causas dos acidentes são o excesso de velocidade e a falta de sinalização. Disseram que, no acidente ocorrido no último domingo, o condutor da moto só viu o quebra-molas quando já estava muito próximo do obstáculo. O carro que seguia atrás não conseguiu frear e bateu na traseira da moto, derrubando os ocupantes. ‘‘Cortou o meu coração ver uma das crianças, que estava na moto, me pedir para acordar a mãe dela, que estava morta’’, conta Rosângela de Azevedo.
Durante o protesto, policiais militares e rodoviários desviaram o tráfego de veículos para vias secundárias. Os manifestantes tentaram de todas as formas impedir a passagem de carros e caminhões e bloquearam também várias ruas que estavam servindo de desvio para os veículos.
Já cansados de tanto arrastar galhos secos para impedir a passagem dos carros, que furavam o bloqueio, os manifestantes conseguiram evitar a passagem de carros sentando no meio do asfalto. Houve momentos de risco para os manifestantes, quando motoristas irritados ameaçavam atropelar os moradores, entre eles muitas crianças. O condutor de um veículo placa AFQ 1886, com a identificação do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), chegou a descer do carro para discutir com os moradores. No meio do tumulto, ele conseguiu garantir a passagem de um caminhão.
Outro que conseguiu driblar o bloqueio foi o produtor rural Sérgio Otaguiri. Ele estava levando o caminhão para transportar soja que estava sendo colhida em Guaravera. ‘‘A reivindicação deles é justa mas a forma de protestar acaba prejudicando as pessoas.’’

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