Os moradores da comunidade do Ceboleiro, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), se mobilizaram ontem no cruzamento da estrada rural para Arapongas com a linha férrea e bloquearam a passagem por aproximadamente três horas. Contrários ao fechamento da estrada, proposto pela Viapar - concessionária responsável pelo Lote 2 do Anel de Integração - e pela prefeitura de Arapongas, eles enfrentam agora a administração da Ferrovia Sul Atlântico.
O presidente da Associação dos Moradores do Ceboleiro, Luiz Alves, contou que o problema foi provocado no início da semana por um caminhão-tanque, carregado de combustível, que ao tentar transpor a linha férrea, ficou preso nos trilhos. ‘‘Por causa do pedágio na BR-369, os veículos usam a nossa estrada como desvio. O caminhão tentou desviar e ficou parado na linha. Os moradores se mobilizaram e tiraram o caminhão’’.
Ontem de manhã, durante a vistoria de engenheiros da Sul Atlântico, os moradores se mobilizaram para tentar impedir qualquer ação que pudesse fechar de uma vez por todas a estrada. A prefeitura de Rolândia trabalha na readequação no nível da estrada na transposição da linha férrea.
De acordo com o supervisor de campo da Ferrovia Sul Atlântico da região de Londrina/Apucarana, Ademar Shigueharu Ueda, a obra é inadequada. ‘‘Tivemos uma decisão técnica de fechar a transposição porque tivemos problema operacional e risco de acidente com o caminhão de combustível’’, comentou. Ueda afirmou que o fechamento será feito somente depois que as prefeituras de Rolândia e Arapongas se manifestarem a respeito.
Ueda explicou que a transposição da linha férrea é feita numa curva, o que traz problemas de visibilidade para os maquinistas das locomotivas e para os motoristas. ‘‘A estrada é feita para um fluxo pequeno e não para 3 a 4 mil carros/dia, principalmente carretas carregadas com 30 a 40 toneladas’’, justificou.
Segundo Ueda, a Ferrovia Atlântico Sul quer evitar o uso da estrada. ‘‘A curto prazo temos uma solução para o problema, só que será somente para os moradores locais’’, afirmou, sem especificar qual seria. Por dia, passam pelo local de 8 a 10 trens, além das máquinas de manutenção.
A preocupação da direção da Ferrovia, segundo Ueda, é com a possibilidade de ocorrer acidentes. ‘‘Cerca de 70% dos acidentes ferroviários acontecem nas transposições de nível’’. Para os próximos dias está prevista uma reunião entre os moradores, representantes da Ferrovia, das prefeituras de Arapongas e Rolândia e da Viapar.
Obras Enquanto não chegam a um acordo, os moradores realizam obras de melhoria na estrada com o apoio da prefeitura de Rolândia. O moledamento e a readequação da pista vão evitar que os moradores enfrentem problemas com a lama e a poeira. A estrada também está sendo preparada para aguentar o aumento do fluxo de veículos, provocado pela cobrança de pedágio iniciada este mês.
No trecho de aproximadamente 800 metros, que fica no município de Arapongas e passa ao lado da Expoara, os moradores resolveram assumir os custos da obra e realizá-la por conta.

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