Moradores bloqueiam avenida em Londrina
Moradores do Jardim Paraíso (região norte de Londrina) protestaram ontem de manhã contra os constantes atropelamentos na Avenida Henrique Mansano, em frente ao Autódromo Internacional Ayrton Senna. Cerca de 100 pessoas do Jardim Paraíso colocaram fogo em pneus e interditaram a pista por várias horas. A última vítima da violência no trânsito local foi a estudante Alessandra Fonseca Marques, de 16 anos, atropelada e morta há uma semana. A polícia ainda não identificou o autor do crime, que fugiu sem prestar socorro à vítima.
A dona de casa Luiza Odete Fonseca, 41 anos, mãe da estudante morta, relatou que a filha foi atropelada quando estava próxima ao canteiro da avenida. Ele (o motorista) não parou nem para saber se a menina estava viva ou morta. Foi como se tivesse atropelado um cachorro. Luiza disse que os carros trafegam na avenida em alta velocidade. Passam a mais de 100 quilômetros por hora.
A morte de Alessandra não foi a única registrada na avenida nos últimos meses, segundo os moradores. O pedreiro Claudecir Gonçalves, morador do bairro, disse que o sogro, de 56 anos, que passava pelo local conduzindo uma carroça, também foi atropelado e morto há três meses. Morreram ele e o cavalo. O comerciante Faustino Azolini disse que o trânsito é uma ameaça constante aos pedestres. À noite, segundo ele, carros disputam racha em vários trechos da avenida. Várias pessoas já morreram por aqui, inclusive uma mulher grávida.
A filha da dona de casa Roseli Aparecida Rodrigues Lobo teve mais sorte que as demais vítimas do trânsito na Avenida Henrique Mansano. Segundo Roseli, a filha Cíntia, de 19 anos, já se submeteu a nove cirurgias depois do atropelamento ocorrido há um ano. Hoje, explicou Roseli, minha filha está andando de muletas. Quero justiça, reivindicou a dona de casa.
Segundo a costureira Maria José de Carvalho, a solução para os abusos cometidos pelos motoristas é a instalação de semáforos e quebra-molas. Ela reivindica também um policiamento mais ostensivo no bairro. A polícia só aparece depois que a pessoa está morta no asfalto. Maria José garantiu que os moradores iriam continuar protestando até que o prefeito Nedson Micheleti (PT) fosse até ao local. Se ele não vier vamos quebrar o asfalto e abrir valetas, ameaçou. Na época da campanha ele (Nedson) gastou a sola do sapato aqui, mas agora esqueceu-se da gente, reiterou.
A assessoria do prefeito informou no início da tarde que o diretor da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, iria ao local conversar com os moradores e ouvir as reivindicações. O trânsito na Avenida Henrique Mansano foi desviado para as vias paralelas pela Polícia Militar, que acompanhou o protesto.





