Moradores assustados com assaltos violentos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os assaltos a residências em Curitiba são cada vez mais constantes. A Secretaria de Estado de Segurança Pública não revela os dados, mas - segundo fontes da Delegacia de Furtos e Roubos - todos os dias são registradas ocorrências. Entre 10% a 20% delas, os assaltantes empregam violência. Um dos casos mais graves ocorreu no dia 23 de junho. A jornalista que procurou à FOLHA para relatar o caso não quer ser identificada por temer represálias por parte dos bandidos. A história foi verificada e confirmada por boletins de ocorrência e por inquérito policial. Nenhum dos assaltantes foi preso ou identificado.
No dia do assalto, por volta das 20 horas, os pais e os avós da jornalista estavam em casa, no bairro Bigorrilho. Os pais têm 63 e 65 anos e os avós com 87 e 88 anos. Ela havia saído. ''Minha mãe estava na lavanderia quando sentiu uma mão no seu ombro. Quando se virou, viu o assaltante. Ele a levou para dentro da casa, onde outros cinco já a aguardavam. Tinha ainda um grupo do lado de fora. Eles se comunicavam muito por celulares'', relatou. Os assaltantes perguntavam pelo cofre - que não existia.
Como não obtiveram informações sobre o cofre, eles começaram com as torturas físicas. ''Meus avós foram amarrados e amordaçados. Meu avô foi afogado. Eles batiam muito, eram bem violentos'', relatou. Eles levaram dinheiro, jóias, bebidas e pertences pessoais (como roupas e sapatos). Depois, retiraram os fios do telefone que foram também usados como cordas para amarrar as vítimas. ''O trauma é muito grande. Minha mãe está apavorada. Os meus avós ficaram doentes. Não temos proteção de ninguém. Pedi proteção da polícia, para que colocasse viatura fazendo ronda, mas eles me disseram que só podem atuar quando o crime acontece. Mas a polícia não tem que ser preventiva?'', reclamou. ''Os assaltantes se sentem poderosos na hora de cometer crimes. As estatísticas desaparecem e a gente fica à mercê dos bandidos - que estão mais equipados do que a polícia'', disse.
O delegado adjunto da Furtos e Roubos, Jairo Amodio Estorilio, confirmou que existem grupos com modalidades parecidas de atuação. Um deles foi preso esta semana e teria cometido um assalto parecido no Jardim das Américas, no dia 18 de junho, onde uma família teria sido vítima (uma das pessoas tinha 75 anos). ''Vários grupos agem desta forma. Estamos tentando identificá-los.''


