Moradores armazenam água de chuva
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domingo, 06 de abril de 2003
Agência Estado 
São João da Barra- A luta por um pouco de água torna ainda mais dramática a situação de comunidades carentes do município de São João da Barra, que já sofrem com a proibição da pesca, principal meio de sustento da população, e o risco de contaminação provocado pelo desastre ambiental da indústria de papel de Cataguases. No fim da tarde, moradores recorriam a estratégias inusitadas, como recolher água da chuva em baldes.
Pela manhã, no conjunto de cerca de cem casas populares construído na década de 70 pela Companhia Estadual de Habitação, mulheres de pescadores protestavam contra a falta de água e a suposta discriminação que o bairro estaria sofrendo da Companhia Estadual de Águas de Esgotos (Cedae) na distribuição da água coletada em poços profundos.
''Somos desprezados pelo governo, isso é discriminação. Nas casas de veraneio não falta água, mas a nossa comunidade é sempre prejudicada'', disse Arlene Chagas, de 42 anos, que mora com três filhos e um neto. O bairro foi construído para abrigar famílias de pescadores que perderam suas casas com o avanço do mar no pontal de Atafona.
Pela manhã, o tonel de 5 mil litros que a prefeitura disponibilizou para a população da comunidade estava vazio. Com latas, bacias e baldes nas mãos, moradores recorriam a um poço artesiano perfurado a apenas 30 metros da margem do rio contaminado. ''Eu bebi porque não tenho dinheiro para comprar água mineral'', disse Solange Nunes de Almeida, de 40 anos. ''A água saiu meio amarelada. Eu usei para lavar roupa e fiquei com uma coceira danada'', disse Nadiária Gonçalves da Cruz, de 28 anos, que tem dois filhos.
Dezenas de barcos de pesca em alto-mar estavam parados. ''Não adianta pescar porque as pessoas estão com medo de comprar o nosso peixe. Cerca de 300 robalos pescados em alto-mar, que não ofereciam nenhum risco, foram enterrados pela fiscalização'', disse o pescador Válter Ribeiro Dias, de 39 anos.
Matias Roberto Rodrigues, de 18 anos, disse que vai tentar vender os peixes em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. ''A sobrevivência aqui é o pescado. Vamos viver de quê? Os pescadores de mar vão morrer de fome?'' São João da Barra tem cerca de 1.300 pescadores de mar e 400 de água doce cadastrados na prefeitura.


