Moradores aprovam Guarda Municipal
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quinta-feira, 10 de julho de 2008
Fernando Klein<br>Especial para a FOLHA 
Apucarana - As prefeituras de Apucarana e Arapongas (Norte) apostam na Guarda Municipal para melhorar a segurança pública. Sem grandes investimentos - os gastos mensais giram entre R$ 50 mil e R$ 60 mil - os dois municípios colocaram nas ruas há cerca de 15 dias guardas para auxiliar o trabalho das polícias Civil e Militar. A população comemora os primeiros resultados do projeto.
Em Apucarana, são 36 trabalhadores - 34 homens e 2 mulheres. Desde o último dia 22, eles estão monitorando a Área Central, além de praças e parques. Em duplas, os integrantes da corporação andam fardados, utilizando apenas cacetetes.
Diego Gaspar, dono de uma sorveteria na Praça Rui Barbosa, afirma que a tranquilidade voltou ao local. ''Estou nesta praça há 25 anos. Nunca esteve tão calma.'' Segundo ele, desocupados e consumidores de drogas que faziam parte da paisagem da área desapareceram. Gaspar, porém, afirma que os guardas deveriam andar armados. ''Isso seria uma forma ainda maior de intimidar os marginais'', assinala.
Aquiles Martins, proprietário de uma imobiliária e morador na região da Praça 28 de Janeiro, também afirma que a sensação é outra no local. A Praça 28 de Janeiro é conhecida em Apucarana por ser reduto de consumidores de drogas. ''Os moradores não tinham coragem de passar pelo meio da praça nem durante o dia. Apenas acho que eles (os guardas) deveriam circular mais e não ficar parados junto à academia (academia ao ar livre instalada na área)'', afirma.
O comandante da Guarda Municipal de Apucarana, Maurício de Carvalho Mello, que foi policial rodoviário por 25 anos, assinala que o balanço dos primeiros dias é positivo. ''As pessoas nos procuram para elogiar o trabalho. Quem reage à nossa presença nas ruas é mal-intencionado'', diz. Mello destaca que os ''desocupados'' deixaram a Área Central.
A principal missão da Guarda Municipal de Apucarana é proteger o patrimônio público, mas o comandante afirma que o trabalho também abrange auxiliar a PM sempre que possível. ''Já atendemos atropelamentos, fizemos abordagens de suspeitos e também participamos da detenção de uma pessoa na Praça Rui Barbosa'', afirma.
Ele afirma que os integrantes da corporação estão bem preparados para o trabalho. ''Foram 480 horas/aula de curso, ministradas em parceria com as polícias e o Exército, desde defesa pessoal, legislação, educação física até chefia e liderança'', cita. Os guardas também tiveram instruções de armamento e tiro, mas não utilizam armas. O grupo conta com apenas um veículo para auxiliar as rondas, além de celulares para o acionamento da PM. Mello observa que motos serão entregues à corporação para auxiliar no trabalho em breve.
A partir de setembro, a Guarda Municipal de Apucarana também trabalhará no monitoramento de câmeras de segurança. Dentro de 40 dias, a prefeitura pretende instalar esses equipamentos em pontos estratégicos da cidade. Os guardas irão atuar na central de monitoramento que está sendo montada pela administração junto com a PM.
O tenente Marcos José Facio, do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM), de Apucarana, fez um estudo sobre os primeiros dias de trabalho da Guarda, que mostra uma redução de mais de 50% de pequenas ocorrências na Área Central. ''É uma proposta que auxilia e muito a Polícia Militar, na medida em que aumenta a sensação de segurança da população'', avalia.
''O investimento é pequeno em comparação com os resultados. São R$ 50 mil mensais de gasto para o município, o que representa basicamente os salários'', afirma o prefeito Valter Pegorer (PMDB). Cada guarda recebe em torno de R$ 960 por mês.


