Telma Elorza
De Londrina
Um dia depois do confronto entre manifestantes e Polícia Militar, as pistas do trecho urbano da rodovia BR-369, na zona leste de Londrina, ainda mostravam ontem as marcas do protesto contra o atropelamento e morte do menor Diego Bueno, 13 anos. E, embora moradores e comerciantes se mostrassem indignados com a truculência com que a polícia reprimiu o protesto, o clima na região era de tranquilidade.
Muitos dos comerciantes estabelecidos na região já tinham encerrado suas atividades diárias quando o tumulto começou. Alguns, que trabalham até mais tarde, como é o caso da comerciante Sizuko Aisawa, 60 anos, proprietária de um restaurante às margens da rodovia, preferiram fechar as portas mais cedo. ‘‘Eu normalmente fico até mais tarde, preparando marmitas. Mas quando fiquei sabendo do protesto, resolvi baixar as portas. Evita problemas’’, comentou. Ela, que ficou sabendo do atropelamento do garoto pelos clientes, achou justo o protesto. ‘‘Há muito tempo o povo vem pedindo providências. Talvez não fosse necessário a violência’’, arriscou.
O presidente da Associação de Moradores da Vila Yara, o comerciante Milton de Paula Rodrigues, 49 anos, se mostrou assustado com a violência: ‘‘Eu moro aqui há quase 40 anos e nunca tinha visto algo igual. O negócio foi feio’’. Segundo ele, os moradores estão reclamando a construção da passarela há muito tempo e a morte do garoto teria sido a gota d’água. ‘‘Não concordo com a violência mas o protesto foi justo’’, afirmou.
Segundo ele, a população tem mesmo que protestar. ‘‘Por meios pacíficos a gente nunca conseguiu nada. Já fizemos vários abaixo-assinados, milhares de requisições e nunca ninguém fez nada para resolver’’, explicou. Rodrigues, que tem um bar às margens da rodovia, disse que fechou as portas antes de o tumulto começar. ‘‘Normalmente fico até mais tarde, mas a gente não quis arriscar’’, explicou.
Milton Rodrigues disse que uma comissão de moradores iria ontem à tarde na Câmara de Vereadores pedir ajuda para resolver a situação. ‘‘Vamos ver o que conseguimos, né? Eu acho que, antes da passarela – que demora para ser construída –, devíamos ter um quebra-molas. Uma solução mais barata para o município e mais rápida para nós’’, afirmou.
Ontem, a família de Diego Bueno ainda não estava conformada com a morte do garoto, ocorrida no domingo à noite. Segundo o tio do garoto, Cosmo Bueno, 39 anos, a manifestação de segunda-feira mostra apenas o grau de indignação dos moradores. ‘‘Vamos continuar protestando. Não é porque foi meu sobrinho quem morreu, mas porque aqui todas as crianças arriscam a vida para ir à escola. Você precisa ver como elas atravessam a rodovia, às 17h30. É um absurdo’’, apontou. Segundo ele, se as autoridades não providenciarem pelo menos um quebra-molas de forma urgente, novos confrontos podem ocorrer. ‘‘É bom que não deixem ninguém mais morrer’’, ameaçou.

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