Londrina - Na tarde de ontem vários moradores dos municípios de Londrina e Cambé ainda enfrentavam o reflexo do rompimento de uma adutora na noite de segunda-feira que interrompeu a captação de água por 20 horas e deixou sem água 390 mil pessoas. No residencial Vista Bela (zona norte) a bomba d’água responsável por abastecer as caixas d’água dos apartamentos ficou danificada com a pressão na retomada do abastecimento e somente no meio da tarde de ontem é que alguns moradores tomaram a iniciativa de fazer um conserto de maneira precária para que o problema fosse solucionado, ainda que provisoriamente.
Um dos moradores, que se identificou apenas como Jair, afirmou que o conserto fez com que os primeiros reservatórios fossem preenchidos com a água, mas aqueles localizados mais distantes ainda enfrentavam a falta de água. "Ainda tem apartamento aqui em que as torneiras estão secas", afirmou. A moradora do residencial, Renata do Nascimento, de 33 anos, chegou a ir para a casa da irmã no Conjunto Milton Gavetti e constatou que lá o abastecimento também tinha sido interrompido.
Outras pessoas utilizaram o mesmo expediente para lidar com a falta de abastecimento. Na residência do comerciante aposentado, Antônio Gozz, de 77 anos, no bairro Cervejaria (zona leste), a falta de água o fez procurar a casa de parentes para tomar banho, já que sua casa possui uma caixa d’água com capacidade para apenas 250 litros. "Além disso tive que comprar um galão de água com cinco litros para poder fazer a comida e beber água", destacou Gozz. Ele destacou que no fim da manhã de ontem a água retornou, mas com uma pressão muito baixa e que demorou até que a caixa d’água ficasse cheia novamente. "Não dava nem para ir ao banheiro", reclamou.

COMÉRCIO AFETADO
Nos restaurantes da Avenida São João (zona leste), muitos estiveram fechados por causa da falta d’água. Aqueles que funcionaram buscaram água em outros locais para poder cozinhar e fazer a limpeza de seus restaurantes. O proprietário de um deles, Massao Hamada, de 27 anos, foi realizar uma entrega na casa da avó de um amigo e retornou com 70 litros de água para seu restaurante. "Foi trabalhoso. A minha sorte é que lá encontrei galões para realizar o transporte da água", afirmou. Mas na retomada do abastecimento, a pressão da água danificou a válvula de descarga do banheiro do estabelecimento. "E quando retornei pela manhã vi que tinha deixado várias torneiras abertas", afirmou.

RESSARCIMENTO
A assessoria de comunicação da Sanepar afirmou que nesses casos em que há danos, existe a possibilidade de pedido de ressarcimento, que pode ser feito pelo telefone 0800-2000115. O atendente explicará qual deve ser o procedimento. Questionada sobre uma possível redução na tarifa em função da interrupção do abastecimento, a assessoria de comunicação afirmou que não há essa possibilidade e que isso nunca aconteceu antes.
O engenheiro civil Gil Gameiro, coordenador de produção de água da Sanepar, afirmou que a retomada do abastecimento tem sido realizada de maneira lenta para evitar o estouro de outras adutoras. "Nós temos conhecimento que em pontos mais elevados ainda registramos problemas de abastecimento, já que a baixa pressão faz com que a água não chegue nas caixas d’água". Ele explicou que o fornecimento de água foi normalizado na madrugada de ontem, por volta das 3 horas, e que até a noite de ontem todos os pontos da rede seriam atendidos e o fornecimento seria normalizado. Ele afirmou ainda que a companhia ainda não possui um diagnóstico do que pode ter causado a explosão da adutora.
A Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA), ligada ao Ministério das Cidades, foi procurada, mas até o fechamento desta edição não havia retornado a resposta sobre qual procedimento deve ser adotado nesses casos e se haveria possibilidade de redução da tarifa em função da interrupção do abastecimento. A Agência Nacional de Águas (ANA) também foi procurada, mas sua assessoria afirmou que esse assunto não é de sua responsabilidade.

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