Moradores aguardam pagamento de desapropriação
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sexta-feira, 18 de abril de 2003
Renê Muller<BR>Reportagem Local 
A dor de cabeça se arrasta por longos anos para seo José Aparecido, 75 anos. E agora, mais do que nunca, ele pede que o Estado pague logo o que lhe deve, a um justo preço, pela desapropriação de uma área de 456 metros quadrados, na Rua Alberto Francisco Xavier, no Jardim Del Rey (zona sul de Londrina). A área é anexa à Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e foi desapropriada em 25 de agosto de 1994.
É o drama de outros 28 moradores e proprietários da região. Assim como os demais, Aparecido recebeu apenas uma parte do valor a que tem direito: em 23 de fevereiro de 1999 (diz lembrar bem a data), ganhou R$ 20.929,79 pelo terreno à direita da casa. O local, devidamente incorporado, agora virou horta e estacionamento da PEL.
''Um perito já fez uma avaliação em outubro passado, mas não sei quanto e nem quando vou receber pelo terreno'', lamenta Aparecido, enquanto mostra, sobre o muro, o terreno que já foi seu, e agora é tomado por hortaliças e brita de estacionamento. Motorista de frete, ele reclama que já não tem a mesma força para carregar móveis casa ou prédio acima. ''Só estou esperando esse dinheiro para vender meu ponto e parar com o frete'', ressalta.
Hoje, ele vive sozinho na casa, a de número 186 da Alberto Francisco Xavier. Está a uns bons quilômetros da família, que mora do outro lado de Londrina. Não quer deixar a casa abandonada.
O servente de pedreiro José Felipe da Silva, 63 anos, vive com a família na casa à esquerda. Planta alguns pés de milho e nem pensou em rebocar a casinha simples. Afinal, na teoria, a construção já não é mais dele. ''Meu advogado disse que estou aqui por favor'', diz Silva.
Ele lamenta que com o pouco estudo que tem não consegue ocupação mais rentável para cuidar da mulher, que adoeceu e está inválida. Silva teve que gastar com tratamento a parcela de R$ 10.335,00 que recebeu em 98. E ainda gasta dinheiro que não tem. ''Não tenho nem como pensar em me aposentar.''
O taxista José Lopes Júnior, 60 anos, ainda lembra quando tratores entraram em seu terreno sem qualquer comunicado ou entendimento prévio. ''As máquinas invadiram do nada, sem mais nem menos'', conta. Aqueles trezentos e tantos metros que eram de sua propriedade hoje dão lugar ao portão e área de entrada da PEL. Em 1998, recebeu R$ 4 mil, metade do valor total estipulado por governo.


