Moradores acusam síndico de cometer atos arbitrários
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sexta-feira, 22 de agosto de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Moradores do residencial Metropolitan Plaza, na Vila Siam (zona leste de Londrina), planejam tomar providências contra as medidas adotadas pelo novo síndico do condomínio, que assumiu o cargo no último domingo. Eles o acusam de uma série de atitudes arbitrárias, como impedir a entrada de entregadores no residencial, impor restrições a visitas, retirar sem aviso os pneus que ficam nas garagens para impedir que os carros encostem nas paredes, além de fazer ameaças.
As medidas teriam sido adotadas com o objetivo de pressionar os condôminos inadimplentes. ''Estamos sendo tratados como animais'', acusa o vendedor Roberto, um dos devedores, e que preferiu não informar seu sobrenome. Os moradores relatam que o síndico é escrivão de polícia e andaria armado pelo condomínio. ''Ele está confundindo suas funções de policial com as de síndico'', aponta o analista de sistemas Alex Jordão de Oliveira.
Ele é um dos moradores que estão com suas contas em dia, e explica que a inadimplência é realmente um problema grave no local: entre os 275 condôminos, cerca de 80 estariam devendo pagamentos. ''É uma situação delicada, mas administrável. Para conter gastos, o síndico não está mais permitindo que sejam acesas as luzes de dentro em volta dos muros. Fica tudo escuro, é um chamariz de ladrão'', critica Oliveira.
Roberto relata que, anteontem, quase houve confusão no condomínio: um grupo de moradores ameaçou subir até o apartamento do síndico quando ele teria manifestado a intenção de cortar o gás das residências dos inadimplentes. ''O fornecimento de gás é encanado, não é possível cortar apenas de um ou outro apartamento'', diz Oliveira.
Até a tarde de ontem, os moradores estavam tensos à espera de uma Assembléia Extraordinária, que aconteceria à noite e seria direcionada apenas aos adimplentes. Mas, sem que fosse apresentada justificativa, a assembléia foi cancelada.
''Temos que esperar para que seja realizada essa assembléia, pois apenas assim poderemos conversar e acertar esses problemas. Se ele (o síndico) não convocar outra reunião, a gente convoca'', aponta a vendedora Salete Maria dos Santos, outra moradora.
A assessora jurídica do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi), Adiloar Franco Zemuner, disse ter sido procurada por dois moradores, mas que não poderia emitir opinião porque desconhece a convenção do condomínio. ''O síndico pode tomar as medidas legais possíveis para se relacionar com os inadimplentes, como entrar com ações na Justiça ou requerer multa. Qualquer coisa fora disso, depende da convenção.'' O síndico não foi localizado pela reportagem.


