Israel Reinstein
De Curitiba
Moradores do Guarituba, em Piraquara, e das vilas Ipê e Ipezinho, em São José dos Pinhais, localizados na Região Metropolitana de Curitiba, estão acusando a Sanepar de poluir os rios e cavas da região. Segundo eles, desde que a empresa instalou uma unidade de tratamento de esgoto, diminuiu o número de peixes e aumentou o mau cheiro. A Sanepar informou que desconhece o problema e, hoje, vai mandar técnicos para vistoriar a estação.
A unidade está instalada na divisa entre os dois municípios. E todo esgoto coletado está desaguando diretamente nas cavas da região, que desembocam no Rio Itaquizinho, um dos afluentes da Bacia do Iraí, responsável pelo abastecimento da RMC. Segundo a presidente da União Piraquarense das Associações de Moradores (Upam), Iracema Tinte, a Sanepar não estaria tratando o esgoto, poluindo as cavas e rios da região. ‘‘Duas cavas já estão mortas, porque o esgoto cai todo sem limpeza’’, reclamou.
Da estação saem tubos que deságuam diretamente nas cavas. Um líquido escuro e com cheiro forte sai dos canos, misturando-se nas águas, onde as pessoas nadam ou pescam. ‘‘Se conseguir pegar algum lambarizinho, acará ou carpa, vou preparar para a família’’, disse a dona de casa, Maria Pereira do Nascimento, moradora do bairro Ipezinho, em São José dos Pinhais. Acompanhada de suas quatro crianças, ela pescava desconhecendo que havia poluição. ‘‘Vixê, não sabia, mas acho que cozinhando, não vai fazer mau’’, afirmou.
Da mesma maneira despreocupada estava o estudante Paulo José Perboni. Ontem, ele nadava tranquilo no Rio Itaquizinho. O estudante ficou assustado quando viu que numa cava vizinha foi construída uma pequena valeta, saída para um líquido verde, mau cheiroso e bem poluído.
Iracema disse que o problema começou quando a Sanepar passou a coletar o esgoto das casas. Antes, os imóveis se valiam de fossas sépticas. ‘‘A gente não sentia este fedor e as cavas não estavam poluídas’’, reclamou Wilmar Lima, dono de um bar na Vila Denise, em Piraquara.
Para Lima, não é justo permitir o desconto do esgoto, quando a Sanepar polui o rio e as cavas. ‘‘Estão descontando por um serviço que não recebo’’, afirmou. Desde que foi implantada a rede de esgoto, a sua conta pulou da média de R$ 16,00 para R$ 34,00. ‘‘Ainda investi R$ 130,00 para colocar as tubulações na frente da minha loja’’, reclamou.
A presidente da Upam, Iracema Tinte, considerou que a Sanepar não está fazendo bem o serviço. ‘‘Diversas vezes, alguns órgãos públicos e de imprensa culpam os moradores da região do Guarituba pela poluição das águas que abastecem Curitiba’’, disse. ‘‘Mas a Sanepar tem a sua parte de culpa nesse processo’’, acrescentou.

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