Moradores acusam Copel de ''apartheid''
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sábado, 26 de janeiro de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
As placas nos postes de energia são as marcas do preconceito. Para os moradores da Rua das Ameixeiras, no Jardim Interlagos (Zona Leste de Londrina), o novo sistema de medição da Companhia Paranaense de Energia (Copel) é uma ofensa contra a honestidade da comunidade local. Segundo eles, a explicação de funcionários para a inovação são as ligações clandestinas, os chamados ''gatos''. A partir de segunda feira, os funcionários iniciam a instalação do sistema eletrônico de medição de consumo à distância, equipamento que dificulta as fraudes.
O vendedor Vicente Nunes dos Santos, 52 anos, considera isso uma afronta. ''Estão chamando quem mora aqui no bairro de ladrão. Se outras pessoas fazem 'gatos', quem não tem nada a ver com o assunto não pode pagar por isso. É um verdadeiro apartheid'', alfinetou o morador.
A comunidade também está preocupada que a conta de luz aumente. ''Pago uns R$ 70,00 por mês. Se ficar nesse valor está tranquilo. Mas sabemos de outros bairros em que a conta aumentou'', queixou-se o vigilante Moacir Neri do Espírito Santo, 63.
A Copel explica que os novos equipamentos não vão representar despesas extras para os moradores. ''Estamos trocando equipamentos analógicos por outros mais modernos, digitais. A leitura poderá ser feita à distância. Esses equipamentos estão sendo colocados nos bairros onde enfrentamos dificuldades como difícil acesso e ameaças contra os funcionários'', justificou o gerente da área de relacionamento com clientes e medição Norte, Antonio Lemes Proença Junior.
A Companhia alega que não há discriminação, até porque indústrias e condomínios passarão a contar com o novo sistema. Bairros como o Jardim Monte Cristo (Zona Leste) já tiveram os medidores trocados e também foram registradas queixas dos moradores.
Procurado pela comunidade, o promotor dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, disse que enviou um ofício à Copel para cobrar explicações. ''Só com a resposta oficial vou concluir se existe algum problema de caráter discriminatório'', declarou.


