No fim do ano passado, uma das pessoas que havia recebido ordem de despejo do fundo de vale do Jardim Santa Mônica (zona norte) informou que a Justiça havia lhe dado um prazo até o dia 15 de fevereiro para que ela deixasse o local. Ela comentou que não possuía outro lugar para morar e que seus filhos seriam os mais prejudicados caso a família fosse desalojada.
No entanto o presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), José Roberto Hoffmann, afirmou que a solicitante já havia sido contemplada pelo programa Minha Casa Minha Vida e que havia recebido um imóvel localizado no Residencial Vista Bela (zona norte).
A reportagem foi ao local e constatou que o imóvel está em reforma já incorporado a um estabelecimento comercial vizinho. A gerente do mercado negou e afirmou que a beneficiada pelo programa do Governo Federal dorme todos os dias no imóvel mesmo com a reforma. O presidente da Cohab afirmou que irá fazer a fiscalização no local e, caso encontre a irregularidade, fará a denúncia junto à Caixa.
Outro morador que também reside no fundo de vale do Jardim Santa Mônica havia informado que estava há 16 anos na fila para obter uma casa própria junto à Cohab. Hoffmann contestou essa informação. "Ele nunca teve cadastro na companhia. Nem antes de 2002 e nem depois de 2002. Não encontramos o cadastro dele nem nas fichas mais antigas, que estavam no arquivo", relatou.
"Se a gente levantar certinho o histórico das pessoas que receberam imóveis pelo Minha Casa Minha Vida e voltaram para o fundo de vale, elas não têm mais condições de receber casa em lugar nenhum. O sistema também não permite mais que elas recebam qualquer ajuda do governo. Só conseguimos detectar isso mediante denúncia. A partir disso, pedimos para verificar e denunciamos para a Caixa", afirmou.
Vale ressaltar que a maioria dos moradores que foram contemplados pelo Minha Casa Minha Vida obedece ao regulamento do programa e não comete irregularidades com seus imóveis. (V. O.)

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