Moradora de Londrina carregará tocha olímpica
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terça-feira, 08 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Ela não é atleta nem celebridade, mas sua paixão pelas Olimpíadas a colocou entre os 120 brasileiros que irão carregar a tocha olímpica pelas ruas do Rio de Janeiro, neste domingo. A gerente Adriana Pimenta de Oliveira, 29 anos, moradora de Londrina e natural de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), conquistou o privilégio após escrever 50 ''palavras mágicas'' e vencer um concurso nacional de redação.
Adriana garantiu uma das duas vagas oferecidas pela rede de fast-food McDonald's, que irá participar do revezamento da tocha olímpica a convite da Coca-Cola, uma das patrocinadoras mundiais dos Jogos Olímpicos de 2004. Será a primeira vez nos 106 anos das Olimpíadas modernas que a tocha passará por solo brasileiro, durante um percurso inédito pelos cinco continentes.
''Já tinha aquela idéia de que seria um momento histórico e, além disso, sempre adorei esportes. Aí quando soube do concurso resolvi na hora participar, mas acabei deixando para escrever a redação no último dia, sem pesquisa nem nada. Levei apenas uns 15 minutos: foi um momento de paixão'', recorda Adriana, que teve de redigir um texto explicando sua motivação para carregar a tocha olímpica. ''Escrevi sobre a paz e a união entre os povos que, acredito, as Olimpíadas podem proporcionar. Por causa delas, até Hitler deu uma pausa na guerra'', assinala.
Desde o mês passado, quando soube que tomaria parte no trajeto de 49 quilômetros que a tocha olimpíca deverá perfazer no Rio, a gerente passou a ''treinar'' todos os dias. Na pista do Zerão ou na barragem do Lago Igapó, ela tenta imitar o trecho de 400 metros que lhe caberá durante o revezamento. ''Cada um pôde escolher a modalidade de corrida, e eu optei pelo jogging, que é um pouco mais lento. Acho que vou levar de dois a quatro minutos'', antecipa-se.
Há um fator, contudo, que nem os treinos podem fazer Adriana prever: sua reação ao sentir um tesouro olímpico nas mãos. ''Meu maior medo é chorar o tempo inteiro de emoção. Ao invés disso, eu queria sorrir, porque acho que devemos representar a imagem de um país alegre'', diz.
Enquanto o grande dia não chega, ela aproveita seus próprios momentos de celebridade. ''Lá na minha cidade está um 'frisson', e em Londrina muita gente me reconhece, me cumprimenta. Está tudo sendo maior do que eu imaginava'', comenta, confessando um sonho a mais. ''Se alguma alma bondosa decidir me levar para as Olimpíadas, aí eu vou explodir de emoção.''


