Milton DóriaPá e disposiçãoPascoal, com a mão na massa: ‘Não aguentava mais reclamar’Pá na mão e disposição, o representante comercial Pascoal Marchi se armou de coragem e começou a quebrar sua calçada. A meta: tentar desentupir o bueiro que fica em frente a sua casa, no jardim São Francisco de Assis (zona oeste). Único escoador de água da rua Antimônio, sua tubulação vive entupida. Água, folhas e outros materiais se acumulam e apodrecem exalando um mau cheiro tremendo. E, para azar de Marchi, o cheiro vai direto para dentro de sua casa.
Segundo ele, não adiantaram as reclamações via telefone à Prefeitura, nem as três idas até à Secretaria Municipal de Obras. ‘‘Eu não aguentava mais reclamar e ninguém me atender. Decidi tentar eu mesmo, sozinho, resolver o problema’’, contou. Foi uma quebradeira só e a calçada ficou em frangalhos. Mas o danado do bueiro continua lá, entupido.
‘‘Tirei um monte de folhas, plástico e areia, mas parece que a tubulação também está entupida.’’ Constatado que o problema era mais embaixo, e impossibilitado de fazer a limpeza dentro dos tubos, muito estreitos, Marchi fez uma nova tentativa. Voltou a ligar para a Secretaria de Obras.
Animado com a atenção da funcionária que o atendeu, Marchi pediu um caminhão pipa. ‘‘Para ver se a água desentope de vez os tubos’’, explica. Ele acrescenta que a funcionária se comprometeu a verificar a possibilidade do atendimento. Mas que nada: sem confirmação nem resposta negativa, às 19 horas de ontem Marchi continuava sentado no sofá de sua casa, aguardando o caminhão pipa.
Pior: segundo o secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, Marchi vai ter de esperar ainda algum tempo para ser atendido. A equipe está empenhada em um programa de limpeza e manutenção dos bueiros da cidade, mas está atuando agora no centro e na zona norte. ‘‘Não é possível prever quando chegaremos à zona oeste’’, afirma Righi. Ele aproveita e chama a atenção dos moradores sobre a importância de colaborarem com a manutenção dos bueiros, para evitar complicações.
Righi diz que, na maioria das vezes, os entupimentos são provocados pela própria população, que joga todo tipo de material dentro das bocas de lobo. ‘‘As folhas sedimentam e, junto com plásticos, madeiras e outros materiais, acabam por obstruir a tubulação que já é estreita para a vazão de água da chuva.’’ Ele esclarece que mudar a tubulação da rede pluvial é imposssível.
Para minimizar o problema, a Prefeitura está substituindo as bocas de lobo por ‘‘bocas de leão’’. Mais largas, elas prometem entupir com menos facilidade. ‘‘Mas de nada vai adiantar o nosso esforço se a população continuar usando os bueiros como lixo.’’

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