Morador reclama de valor de prestação
Luciana Pombo
De Curitiba
De um lado da rua, lotes com preços que variam entre R$ 17,00 e R$ 75,00 por mês. Do outro, lotes com prestações entre R$ 110,00 e R$ 175,00. É desta forma que convivem os moradores do Bairro Novo, loteamento com mais de 10 mil unidades, numa área de 4,2 milhões de metros quadrados - a mesma do bairro Água Verde, em Curitiba. Nos chamados Bairro Novo A e B, as prestações são mais acessíveis e os moradores pagam diretamente à Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-CT). Já no Bairro Novo C, os preços dos lotes são mais altos e alguns moradores, com prestações atrasadas, estão tendo que deixar o local. As mensalidades, ao contrário dos demais, são pagas à empreiteira CR Almeida.
O operador de máquinas de uma fábrica de plásticos de Curitiba, Santílio de Oliveira, de 38 anos, disse que mora há dois anos no local com a mulher, Zélia Sitão de Oliveira, e dois filhos. A prestação do lote em setembro de 1997 era de R$ 96,23 e agora está em R$ 137,50. Com problemas financeiros, ele está com a prestação atrasada há oito meses e diz que tem sofrido pressões da construtora CR Almeida, responsável pelos terrenos do Bairro Novo C. Quando comprei esse lote, eu achei que era da Cohab. Eu estava na fila da Cohab há cinco anos, para comprar algo com preço justo e não para ser explorado, diz.
De acordo com Oliveira, alguns moradores da região já tiveram que deixar suas casas por falta de pagamento. Isto é um absurdo. Pago três vezes mais do que os moradores que vivem do outro lado da rua e ainda posso ser despejado, denuncia. Zélia também trabalha fora para ajudar no orçamento da casa, mas não consegue pagar as contas em dia. Temos que pagar luz, água, financiamento da casa, lote, não tem dinheiro que chegue, desabafa.
A manicure Josefa Maria da Silva, de 38 anos, também vive situação semelhante. Ela paga R$ 111,30 por mês e tem dificuldades para manter as contas em dia. Estou desempregada e tenho que trabalhar como autônoma, esse valor foge das minhas condições financeiras, alega. O marido, Lauro dos Santos, de 39 anos, é pedreiro, mas também está trabalhando como autônomo. Nessa rua tem apenas dois pais de família empregados. Os demais estão em situação ainda mais difícil do que a nossa, conta ele.
No Bairro Novo A, os moradores estão mais tranquilos. Apesar de estar desempregado há três anos, Maurino dos Santos Bárbara, de 37 anos, está conseguindo deixar as prestações em dia. Ele paga, mensalmente, R$ 50,18 pelo lote comprado da Cohab. Temos feito o possível para deixar a prestação em dia. A situação do lado de cá é mais fácil, diz Maurino Bárbara, comparando a fatura dele com as dos moradores do outro lado da rua.





