Não falta reclamação, em Londrina, sobre terrenos baldios e fundos de vale sujos com lixo e entulho. Mas, se por um lado, muitas vezes são os próprios vizinhos aos terrenos que jogam o lixo, por outro, há moradores que tomam para si a tarefa de transformar o mato em belos jardins. Bons e maus exemplos não faltam na cidade, mas, afinal, de quem é a responsabilidade de limpeza?
Na Avenida Salgado Filho, no bairro Aeroporto (zona leste), o exemplo é de descaso. Entulhos de construção, restos de plantas podadas, telhas, sacolas plásticas e até uma casinha velha de cachorro foram jogadas no terreno vizinho ao número 271. O aposentado Aleixo Bassu, de 70 anos, disse que já chegou até a pagar pela limpeza do terreno, apesar de não ser o proprietário.
Na Avenida Máximo Peres Garcia, no Jardim Belo Horizonte (zona leste), os poucos moradores do local se juntaram para transformar pelo menos uma parte de um grande matagal em um jardim. Plantaram árvores e flores e gramaram uma parte do terreno. O resultado é surpreendente, mas mesmo assim, os moradores tinham que conviver com o mato. Ontem, a prefeitura providenciou a roçagem do local. ''Não dá para cuidar do terreno todo e o mato era esconderijo para ladrão'', reclamou a dona de casa Alessandra Marques de Moura, de 30 anos.
Outro bom exemplo de cuidado fica na Rua Professor Joaquim de Matos Barreto, no Jardim Maringá (zona oeste). Em uma área próxima à transposição da Avenida Maringá, no lago Igapó, os moradores fizeram um parque ''particular'', com flores, plantas, uma ponte e um banquinho. ''Foi um vizinho que começou e agora todo mundo ajuda'', disse a recreadora infantil Maria Teresa de Melo. ''Para mim, nem é um dever cuidar, mas um privilégio'', afirmou o pastor José de Melo, de 57 anos.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, explicou que quando é constatado que o mato está alto ou há sujeira, a prefeitura faz a limpeza e depois cobra do proprietário. Em Londrina, cerca de 1,5 a 1,8 mil terrenos são limpos mensalmente neste sistema, que fica bem mais caro ao proprietário. Para Sella, o problema do lixo é cultural. ''Em cerca de 60% dos casos são os próprios vizinhos que jogam lixo em terrenos baldios'', afirmou.
Quem planta em terrenos, pode ter desconto de 50% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). ''E muita gente está aproveitando'', disse.

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