O representante comercial Cezar Zikievicz, 46 anos, está tentando receber da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) um ressarcimento de R$ 36 mil. O valor refere-se à indenização dos danos causados em sua casa por rompimentos na rede de água. Zikievicz mora na avenida Henrique Mansano, no Jardim dos Alpes (zona norte), e vem tendo problemas com a estrutura da casa desde 1995, quando aconteceu o primeiro vazamento.
Zikievicz contou que o problema está no registro de manobra da Sanepar que fica no terreno ao lado. Segundo ele, a construção tem seis anos e até 95 não tinha apresentado problemas. ‘‘De repente, as paredes e o teto começaram a rachar. Não sabia o que estava acontecendo, até que a parte frontal da casa desmoronou e percebi o vazamento no registro da Sanepar’’, conta.
Na época, a Sanepar constatou o rompimento e ressarciu o valor investido nas obras de reparação. Um ano e meio depois, um novo vazamento trouxe os mesmos problemas. ‘‘A estrutura da casa está comprometida. Tenho medo dela cair’’, diz Zikievicz. Segundo ele, os engenheiros da Sanepar estiveram novamente na casa e comprovaram o problema.
O representante comercial conta que depois de solicitar a apresentação de orçamento de três engenheiros, a Sanepar comprometeu-se em ressarcir os danos, mas voltou atrás. Zikievicz disse que já havia sido feito um acordo, em que a Sanepar pagaria R$ 26 mil pelas reformas. ‘‘Apesar do orçamento aprovado ter ficado em R$ 36 mil, aceitei o valor menor. A Sanepar já tinha me pagado R$ 2,9 mil para alugar uma casa, onde moraria enquanto durasse a reforma’’, explicou, mostrando os recibos.
Segundo Zikievicz, a informação da regional da Sanepar em Londrina é de que a reforma dependia da aprovação da diretoria da Companhia. ‘‘Três engenheiros, vindos de Cornélio Procópio, Apucarana e Maringá, foram designados para a vistoria. Dois deles vieram num dia de chuva, mal entraram e foram embora. O terceiro nem entrou, mas assinou o laudo’’, revela o representante comercial.
A informação que Zikievicz recebeu é de que a Sanepar não tem compromisso de pagar a reforma, já que houve indenização dos danos provocados pelo primeiro vazamento. ‘‘É um absurdo. Faz três meses que vou até a Sanepar todos os dias. Foi comprovado que o vazamento comprometeu a estrutura da construção. Acho que eles estão me fazendo de palhaço.’’ Zikievicz afirma que, se não houver acordo, ele vai entrar na Justiça para receber o dinheiro.
O gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima, afirma que houve na realidade um equívoco. Ele explica que, como o problema apareceu numa época de chuvas, acabou acontecendo uma falha no processo de vistoria feito inicialmente. ‘‘Constatou-se que o vazamento existia, mas o relatório não dizia a extensão do problema.’’
Os trabalhos da comissão instituída pela direção da Sanepar mostraram que o vazamento era de pequeno porte. ‘‘Não poderia ter causado estragos dessa forma’’, argumenta Kishima. Até a vistoria da comissão, ele acreditava que os danos teriam sido causados pelo vazamento. Por isso, a Companhia acabou pagando o valor do aluguel. ‘‘Mas vamos pedir o ressarcimento.’’
Segundo Kishima, a comissão foi convocada para esclarecer dúvidas sobre o problema. A avaliação apontou que os problemas na estrutura da casa advêm do primeiro vazamento. ‘‘E as reformas para reparação dos danos já foram pagas. A Sanepar não tem condições de ficar vistoriando a obra, se foi bem feita ou não.’’

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