Morador pede indenização da Sanepar por rachaduras na casa
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Josiane Schulz Londrina 
O representante comercial Cezar Zikievicz, 46 anos, está tentando receber da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) um ressarcimento de R$ 36 mil. O valor refere-se à indenização dos danos causados em sua casa por rompimentos na rede de água. Zikievicz mora na avenida Henrique Mansano, no Jardim dos Alpes (zona norte), e vem tendo problemas com a estrutura da casa desde 1995, quando aconteceu o primeiro vazamento.
Zikievicz contou que o problema está no registro de manobra da Sanepar que fica no terreno ao lado. Segundo ele, a construção tem seis anos e até 95 não tinha apresentado problemas. De repente, as paredes e o teto começaram a rachar. Não sabia o que estava acontecendo, até que a parte frontal da casa desmoronou e percebi o vazamento no registro da Sanepar, conta.
Na época, a Sanepar constatou o rompimento e ressarciu o valor investido nas obras de reparação. Um ano e meio depois, um novo vazamento trouxe os mesmos problemas. A estrutura da casa está comprometida. Tenho medo dela cair, diz Zikievicz. Segundo ele, os engenheiros da Sanepar estiveram novamente na casa e comprovaram o problema.
O representante comercial conta que depois de solicitar a apresentação de orçamento de três engenheiros, a Sanepar comprometeu-se em ressarcir os danos, mas voltou atrás. Zikievicz disse que já havia sido feito um acordo, em que a Sanepar pagaria R$ 26 mil pelas reformas. Apesar do orçamento aprovado ter ficado em R$ 36 mil, aceitei o valor menor. A Sanepar já tinha me pagado R$ 2,9 mil para alugar uma casa, onde moraria enquanto durasse a reforma, explicou, mostrando os recibos.
Segundo Zikievicz, a informação da regional da Sanepar em Londrina é de que a reforma dependia da aprovação da diretoria da Companhia. Três engenheiros, vindos de Cornélio Procópio, Apucarana e Maringá, foram designados para a vistoria. Dois deles vieram num dia de chuva, mal entraram e foram embora. O terceiro nem entrou, mas assinou o laudo, revela o representante comercial.
A informação que Zikievicz recebeu é de que a Sanepar não tem compromisso de pagar a reforma, já que houve indenização dos danos provocados pelo primeiro vazamento. É um absurdo. Faz três meses que vou até a Sanepar todos os dias. Foi comprovado que o vazamento comprometeu a estrutura da construção. Acho que eles estão me fazendo de palhaço. Zikievicz afirma que, se não houver acordo, ele vai entrar na Justiça para receber o dinheiro.
O gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima, afirma que houve na realidade um equívoco. Ele explica que, como o problema apareceu numa época de chuvas, acabou acontecendo uma falha no processo de vistoria feito inicialmente. Constatou-se que o vazamento existia, mas o relatório não dizia a extensão do problema.
Os trabalhos da comissão instituída pela direção da Sanepar mostraram que o vazamento era de pequeno porte. Não poderia ter causado estragos dessa forma, argumenta Kishima. Até a vistoria da comissão, ele acreditava que os danos teriam sido causados pelo vazamento. Por isso, a Companhia acabou pagando o valor do aluguel. Mas vamos pedir o ressarcimento.
Segundo Kishima, a comissão foi convocada para esclarecer dúvidas sobre o problema. A avaliação apontou que os problemas na estrutura da casa advêm do primeiro vazamento. E as reformas para reparação dos danos já foram pagas. A Sanepar não tem condições de ficar vistoriando a obra, se foi bem feita ou não.


