A cena seria apenas repugnante, se não fosse também preocupante no que diz respeito à saúde da população. De um lado, uma rede de esgoto com defeito e um bueiro jorrando água que, desperdiçada, segue até a galeria pluvial mais próxima. De outro, crianças brincando na mesma água em que a galeria desemboca - no caso, do Lago Igapó 2 -, enquanto adultos pescam aquilo que será alimento na mesa de casa. Não haveria problema se o produto jorrado da tubulação em pane não levasse junto consigo também dejetos e um mau cheiro de fazer espantar de vez qualquer imagem um pouco mais amena.
A situação aconteceu no Lago 2, sábado passado, perto de uma galeria da Rua Bento Munhoz da Rocha. A denúncia, em tom de desabafo e de pedido de ajuda, foi feita ontem à tarde na Câmara de Vereadores de Londrina pelo técnico em patologia clínica Everaldo Garcia Silva, de 56 anos, que filmou tudo e exibiu o material aos parlamentares. Foram cerca de cinco minutos de película amadora com direito a narração comentada, mas o suficiente para demonstrar a reclamação de Silva e, segundo ele, também de outros moradores da região.
O técnico explicou que o problema teria começado no sábado por volta do meio-dia. ''Chamei a equipe da Sanepar ao local, perto das 16h30, mas eles só apareceram para resolver a situação já às 18 horas. Quantos litros de dejeto não foram despejado ali nesse intervalo todo?'', questiona, para arrematar: ''E pensar que existe uma placa da Sanepar ali perto dizendo que 'Água é Vida'. Jogar dejeto no lgapó, então, é no mínimo uma incoerência'', concluiu.
A fita levada por Silva aos vereadores teve de ser exibida apenas em parte, já que um trecho que denuncia poluição química, mas agora supostamente por parte da Prefeitura, não foi mostrado. De acordo com o morador da região, o despejo de tinta resultante de uma obra na escola Norma Prochet também atingiu as águas do Igapó 2, só que no dia seguinte, domingo. ''Essa tinta é tóxica, não tiveram o mínimo de cuidado de ver que aquilo cairia no lago. Acho que Londrina merece um pouco mais de respeito'', desabafou.
Presente à Câmara no momento da exibição do vídeo, o secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, admitiu que seria a Secretaria a responsável pela benfeitoria na escola uma cancha , mas não soube dizer o que seria feito ou mesmo o que teria acontecido no que diz respeito à poluição. ''Não sei quem é o engenheiro responsável pela obra'', justificou. O assessor técnico do órgão, Joaquim Wargha, comentou ter sabido do fato pela reportagem.
O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ney Paulo, disse que não houve denúncia no órgão nos dias citados. Porém, ele informou que isso ''pode e deve''' ser feito pelo telefone 3323-8791, ''em qualquer horário, até final de semana''.
O diretor-geral da Sanepar pela Região Metropolitana de Londrina, Sérgio Bahls, argumentou que a estatal só foi acionada sábado às 17h30. ''Mas esse morador nos informou a rua 'Caetano', e não 'Bento' Munhoz da Rocha, a qual fica na Vila Portuguesa. Isso atrasou os trabalhos de reparação'', apontou. Questionado sobre as razões do despejo no lago, Balhs declarou que aconteceu em virtude de entulhos, pedras e lixo na galeria pluvial mostrada no vídeo. ''Aí depende mais da população do local em não jogar essas coisas lá, do que de nós'', eximiu-se.

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