Morador de Cianorte procura irmãos que nunca conheceu
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segunda-feira, 11 de julho de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Cianorte O auxiliar geral Orlando Maciel, de 47 anos, perdeu a mãe logo cedo. Dois dias após o parto, ela foi hospitalizada reclamando de fortes dores na região do abdome. A suspeita se confirmava. As queixas eram mais do que simples dores de parto. Segundo os médicos, a mulher carregava na barriga uma segunda criança, que não teve oportunidade de nascer. ''Quando ela chegou no hospital, meu irmão já estava morto. A senhora que fez o parto não desconfiou de nada e minha mãe morreu com hemorragia interna'', contou Orlando, que ficou sabendo de sua história 17 anos após seu nascimento.
Hoje, ele quer conhecer os irmãos mais velhos. Em 1957, a família biológica trabalhava como lavradores na Fazenda 100 Alqueires, no município de Bandeirantes (Norte Pioneiro). Após a morte da mulher, o pai, que já tinha mais seis filhos, decidiu dar o bebê a um casal de vizinhos. ''Ele disse que não tinha condições de me criar porque tinha que cuidar de um filho muito novo, de apenas um ano'', relatou. Orlando passou 17 anos sem saber do passado. Mudou com a família adotiva para a cidade de Quinta do Sol (43 km ao norte de Campo Mourão).
Ao se alistar, descobriu no registro de nascimento que os nomes dos pais não batiam com aqueles que se acostumou a chamar desde pequeno. ''Quando entreguei o documento, percebi que alguma coisa que tinha acontecido. Mas não comentei nada com ninguém. Procurei esquecer e tocar a minha vida'', lembrou.
Um ano mais tarde, decidiu procurar emprego em São Paulo, onde uma de suas irmãs adotivas tinha se estabelecido. Na rodoviária, com a passagem comprada, seus pais de criação contaram toda a verdade. ''Eles estavam tristes com a minha partida. A gente sentou no banco e meu pai perguntou: você descobriu tudo e por isso quer ir embora? Minha mãe disse que eles tinham medo de contar que eu tinha sido adotado''.
A curiosidade natural de conhecer sua família biológica permaneceu latente. Com 25 anos, já trabalhando na construção civil de Curitiba, teve outra oportunidade de mergulhar no passado. Ao tirar uma certidão negativa de antecedentes criminais, um funcionário do Fórum disse que um dos seus irmãos estava preso. ''Eu estranhei, mas logo percebi que era de outra família. Senti vontade de saber um pouco mais sobre eles, mas assim como da outra vez, preferi deixar pra lá'', contou.
Semana passada, mais uma prova que o destino parece conspirar a favor do primeiro encontro da família. Orlando foi ao Fórum de Cianorte, onde mora atualmente, pedir a transferência de seu título de eleitor. Conversava com um amigo no balcão sobre a história de sua família biológica. ''Uma funcionária do cartório se interessou e decidiu me ajudar'', disse. A partir do nome do pais, ela conseguiu localizar quatro irmãos no sistema de cadastro on-line do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Todos estariam morando em cidades do Norte do Estado: dois em Ibaiti, um em Japira e outro em Apucarana.
O auxiliar tem esperanças de encontrar pelo menos os irmãos. ''Depois de tudo isso, acho que passou da hora. Sei que conhecer meu pai é mais difícil. Ele estava muito doente e deve ter morrido'', lamentou. Orlando confessa que ainda custa em aceitar toda a história. ''Ainda estou tentando acreditar nisso tudo. De qualquer forma, tenho vontade de conhecer minha primeira família.'' Ele foi adotado e criado pelos Silveira, que também trabalhavam em Bandeirantes como agricultores.


