Cambé - O sonho da casa própria se transformou em pesadelo para o boia-fria José Batista, de 60 anos. Depois de 12 anos de espera, ele foi beneficiado com uma casa no Conjunto Habitacional Ulysses Guimarães, em Cambé (região metropolitana de Londrina). Mas na semana passada, o imóvel foi interditado pela Defesa Civil. A interrupção da construção de um muro de arrimo colocou a casa em risco de desabamento.
Mesmo orientado pela Defesa Civil e pela Secretaria de Obras de Cambé para deixar o imóvel, Batista afirma que não vai sair do local. "Tenho medo de ficar aqui, mas a Prefeitura não ofereceu nenhuma moradia. Não vou deixar minhas coisas", diz o boia-fria.
O terreno começou a ceder após o vizinho Cezar Augusto dos Santos, de 32 anos, retirar a terra do barranco que divide as duas residências. A intenção era construir um muro de arrimo e ampliar o terreno, mas após a retirada de 14 caminhões de terra Santos descobriu que a obra sairiam mais caro do que esperava. "O pedreiro disse ia custar uns R$ 5 mil, mas depois que retirei a terra o muro vai ficar com uns 4,5 metros e vai custar uns R$ 10 mil. Como não tenho condições financeiras parei a obra, mas não esperava que fosse desmoronar tudo", afirmou Santos, que está desempregado.
Uma lona foi colocada para conter o desmoronamento, mas as chuvas da semana passada agravaram a situação. "Quando chove a gente fica dentro do carro com medo que caia tudo", conta Batista.
De acordo com o assessor administrativo da Secretaria de Obras de Cambé, Luiz Carlos Girotto, o morador foi notificado a contratar um responsável técnico para fazer o projeto de construção do muro de arrimo. Mas Santos espera ajuda da Prefeitura para fazer a obra. "Fui atrás de um engenheiro para fazer o projeto e o orçamento. Estou esperando ele me mandar e daí vou levar lá na secretaria e ver se eles me ajudam. Senão vou ter que me endividar. Estou desempregado", diz.
Girotto explica que a Prefeitura não pode fazer obra em terreno particular e que o desmoronamento ocorreu porque a retirada da terra foi feita sem supervisão técnica. "Se você andar pelo bairro vai ver outros muros de arrimo sendo construídos, mas as pessoas retiram a terra e já constroem o muro. No caso desta residência, eles tiraram a terra e não fizeram a obra. Com a chuva, o terreno cedeu", conta o assessor.
Os moradores questionam não ter muro de arrimo nas residências. De acordo com Girotto, a Construtora Prestes, responsável pelo conjunto habitacional, optou por fazer taludes com grama. "Não tem problema nenhum eles terem feito só talude", enfatiza o assessor. A reportagem procurou a construtora, mas não conseguiu contato.

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