Morador de Bela Vista pedala até Aparecida do Norte para ajudar HCL
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terça-feira, 22 de dezembro de 2020
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

Quando a fé e o altruísmo se entrelaçam muitas coisas boas acontecem. O eletricista Luis Sérgio Salgado, conhecido como Salgadinho (50), mora em Bela Vista do Paraíso (Região Metropolitana de Londrina) e sempre foi uma pessoa religiosa. Quando era criança costumava viajar, por meio de excursões, para o Santuário de Aparecida do Norte (SP). Quando se tornou adulto, passou a ir para o Santuário de motocicleta. “Mas em 2018 meu irmão teve um tumor no pescoço. Pedi para Nossa Senhora que, se ele ficasse bem, eu iria a pé para lá e foi o que eu fiz”, relatou, contando que realizou o trajeto em 20 dias. “Fui sem nada planejado. Era só Deus, Nossa Senhora e eu."
“No ano passado dois amigos quiseram ir e fomos de bicicleta", contou. “Aí surgiu uma ideia da minha irmã de vender a quilometragem percorrida e doar ao Hospital do Câncer de Londrina. Aceitei, porque sempre tive vontade de ajudar o hospital, desde o tempo de tratamento da minha mãe (que faleceu de câncer quando ele era criança). Essa venda funcionou e no ano passado arrecadamos R$ 11,2 mil”, relatou.
Em 2020 ele repetiu a dose e vendeu cada quilômetro percorrido por R$ 5, fornecendo inclusive um comprovante de compra para as pessoas e sorteando uma réplica de Nossa Senhora, adquirida na viagem. O tempo que levaria para percorrer os 980 quilômetros foi calculado em aproximadamente 15 dias, mas ele conseguiu fazer o trajeto em 12 dias e uma noite, mesmo não fazendo o trajeto mais curto.

Optou por ir até Minas Gerais para fazer o Caminho da Fé, roteiro criado para dar estrutura às pessoas que sempre fazem a peregrinação ao Santuário, por meio de pontos de apoio, como pousadas e locais de alimentação. “Fiz um trajeto mais longo para poder vender mais quilômetros", explica ele, que iniciou a viagem em 30 de setembro. Antes de iniciar a rota, ele foi à Igreja da Paróquia São João Batista, onde pediu bênçãos e proteção a Deus e Nossa Senhora Aparecida.
De Bela Vista do Paraíso até São Carlos (SP) são 450 km de asfalto. O restante do trajeto foi percorrido, em sua grande maioria, em estradas sem pavimentação, carreadores de fazendas e junto à via férrea, caminhando pelos dormentes dos trilhos de trem. “Essa rota tem muitas pousadas, pastos, café, banana e morango. Por passar por Minas Gerais, tem muita pedra e bastante morro. É um lugar muito legal e é o mais lindo e aconchegante de todo o roteiro”, apontou, informando que a viagem foi tranquila. "Para dormir eu procurava os postos de combustíveis ou procurava uma pousada."
O resultado dessa viagem foi a arrecadação de R$ 5mil, que já foram entregues aos HCL e a promessa de realizar essa peregrinação enquanto tiver saúde. A inspiração, revelou, veio quando encontrou uma turma de Goiás. “Tinha um senhor com mais de 80 anos que fazia essa rota de mais de mil quilômetros caminhando e já fazia isso por 25 anos"
Salgado ressaltou que a quantidade de quilômetros diariamente percorrida dependia muito dos fatores. “No asfalto eu andava em média 110 km por dia e na parte sem asfalto pedalava em média por 70 km por dia", conta Salgado, acrescentando que teve problemas com pastilhas de freio da bicicletas, além de ser atropelado por um motociclista. "Não sofri nada, mas entortou o aro e tive de empurrar a bicicleta por 30 km até chegar em um lugar em que consegui arrumar”, revelou. “Não tive bolhas nas mãos ou nos pés. Na minha viagem não senti mal. Claro que bate um cansaço no fim do dia e mais nada. O caminho é bem suave."
Ele revelou que passou por algumas dificuldades, porque o cartão de seu banco não era aceito em alguns dos lugares. “Teve um momento em que o comerciante disse para eu pegar o que eu quisesse e deixasse o número de WhatsApp para que eu depositasse o valor da compra depois, mas até agora ele não enviou o número da conta. No ano que vem farei questão de ir ao mesmo local e pagá-lo”.
A única vez em que ele rodou à noite foi no último trecho do trajeto. “No último dia peguei só subida. Tinha um morro muito grande, que percorri das 4 horas até meia noite. Quando vi que daria para chegar ao santuário no dia 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, rodei a noite inteira para chegar a tempo. Quando vi o Santuário a emoção tomou conta de mim. Senti muita paz e meus olhos ficaram cheios d'água. A primeira coisa que fiz ao chegar lá foi agradecer à Nossa Senhora. Foi muito gratificante”, destacou.


