''Esse trabalho é pré-histórico''. A reclamação é do presidente da Associação de Moradores dos jardins Paulista e Fortaleza (zona norte de Londrina), Reinaldo Rodrigues dos Santos, em referência ao esquema montado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para limpar a sujeira que se acumula na barragem do Ribeirão Quati, que passa nos fundos dos dois bairros.
No final da tarde de ontem, a Folha esteve no local e comprovou que os três servidores escalados para o serviço trabalhavam sem condições de segurança, munidos apenas de pás e ancinhos. Um tronco que estava sendo retirado do leito do rio por um trator emprestado se soltou do cabo e atingiu uma das pernas do funcionário público Samuel Ferreira Brito. Ele foi encaminhado para o Hospital Ortopédico, onde teve a perna imobilizada por uma tala gessada.
Para Santos, o trabalho deveria estar sendo feito por máquinas, por causa da grande quantidade de lixo e porque isso representa risco aos trabalhadores. Ele comentou que o volume de entulho é tamanho que apenas uma noite e um dia de chuva foram suficientes para inundar toda a várzea e levar parte do barranco. A última limpeza do Ribeirão Quati foi feita há pouco mais de um mês e Santos apontou que, da forma que está sendo refeito, novamente o trabalho corre o risco de ter sido em vão assim que vier a próxima chuva.
Outro problema relatado pela associação de moradores são manchas de óleo que constantemente aparecem na água e peixes mortos. Nas amostras colhidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não havia óleo, mas foi encontrada grande concentração de coliformes fecais, sinal de que há lançamento de esgoto.
Santos frisou que o problema só poderá ser resolvido quando a prefeitura realizar uma campanha de conscientização dos moradores residentes nos bairros acima da barragem, onde o lixo se acumula. A promessa da Secretarias Municipal do Ambiente (Sema) era limpar o ribeirão e fazer o plantio de espécies nativas para reflorestar a área.
Durante a semana, o secretário João Mendonça argumentou que surgiram outras urgências e, por isso, não teve condições de realizar o serviço. Ele adiantou que a revitalização da área deverá ser feita nos próximos finais de semana.
A reportagem relatou o caso à diretoria da CMTU, mas até o fechamento da edição ninguém foi localizado para comentar o assunto.

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