Não é somente a dificuldade de acesso aos serviços públicos que causa transtornos à população do assentamento Campos Verdes. De acordo com a socióloga e diretora do Núcleo de Estudos Afro-asiáticos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Nilza da Silva, esses moradores podem ter também uma dificuldade de socialização e até de entendimento da própria cidadania. A professora estudou a segmentação territorial da população negra em bairros paulistanos. O trabalho rendeu a tese de doutorado na Pontifícia Universidade Católica (PUC- SP): ''Nem para todos é a cidade: segregação urbana e racial em São Paulo''.
Maria Nilza explica que a dificuldade de uma pessoa em reconhecer onde mora provoca a sensação de que ela não é acolhida em lugar algum, o que por sua vez dificulta o desempenho do seu papel de cidadão. ''Se ela não se reconhece como pertencente a aquele lugar, por sua vez não vai se responsabilizar pelo bairro também'', garante. Ela afirma ainda que a sociabilidade da população fica prejudicada, porque os moradores não conseguem vivenciar espaços comuns, uma vez que se sentem estranhos aos lugares que são obrigados a frequentar.
Uma possibilidade seria que os munícipes fossem acolhidos pelos serviços públicos mais próximos de suas residências. ''Essa seria a situação ideal do ponto de vista da cidadania, mas legalmente talvez não seja possível'', pondera a professora. (G.B.)

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