MORADIA - Urbanização é sonho de felicidade para londrinenses
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Muito ou pouco tempo se passou desde a urbanização de áreas invadidas como os jardins Nossa Senhora da Paz - antiga favela da Bratac -, Maracanã e João Turquino, na Zona Oeste de Londrina, e Jardim Felicidade, na Zona Norte. Em comum, esses bairros têm o histórico de irregularidade na ocupação e violência. Mas é só. As paisagens, hoje, são bastante diferentes e as novas condições de moradia divergem a opinião dos moradores.
Nos jardins Maracanã e João Turquino, que vêm sendo urbanizados há dois anos, a situação melhorou tanto, que os habitantes são só sorrisos. Redes de luz, água e esgoto, asfalto, construção de casas populares, centro comunitário, quadra poliesportiva coberta e unidade básica de saúde deixaram o estigma de assentamento de lado, dando novo ânimo às pessoas.
''A vida está muito melhor, não tem mais poeira e as crianças se divertem mais brincando na rua asfaltada'', declara Keli Cristina da Silva, 13 anos, hoje moradora do Poligonal Turquino Maracanã. Ela conta que em dia de chuva era preciso colocar sacos plásticos nos pés para evitar o barro e que o posto de saúde mais próximo ficava no Conjunto Avelino Vieira. ''A gente morava num barraco e sempre que chovia alagava tudo'', recorda Keli.
Depois da unificação dos bairros, que facilitou o processo de urbanização da área, até parquinho em frente de casa a família ganhou. ''Só a escola estadual ainda é longe'', lamenta Keli, que mora com uma tia e três primos numa das unidades habitacionais entregues pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) e pretende voltar a estudar no próximo ano.
Para a comerciante Nuzanira de Fátima Silva, 49, a melhor coisa do asfalto foi o fim da poeira. ''Falta construir agora uma capela mortuária e uma creche'', diz.
Nuzanira é esposa do presidente da Associação de Moradores do Poligonal Turquino Maracanã, o comerciante Aparecido Alves Júnior, 49, o Cido. Segundo ele, a comunidade está bastante satisfeita com a urbanização, que teve início há dois anos e foi entregue há seis meses. ''Antes nem polícia entrava aqui. Acabou a violência que corroía o bairro.''
De acordo com Cido, o projeto contemplava oficialmente 1.178 famílias dos jardins Maracanã e João Turquino, ''mas na realidade calculo que existam hoje mais de 1,5 mil famílias morando aqui'', estima. Um trabalho de conscientização da população feito pelo presidente em parceria com a Cohab liquidou o comércio de casas populares na região. ''A Cohab confiscou as casas e doou para 56 famílias necessitadas.'' Até a segunda quinzena de dezembro os moradores terão acesso às escrituras dos terrenos, informa Cido.
Segundo ele, a idéia de unificar os bairros em torno de um único nome serviu para acabar com a rivalidade do passado. ''A população não é muito unida por aqui. Se eles não tivessem liderança, a obra não saía'', confessa o presidente de bairro, ressaltando que a Prefeitura deixou apenas um quarteirão da Avenida Maratona sem asfalto em todo o Poligonal. ''Essa é a nossa única tristeza.''
Representante de toda a Zona Oeste de Londrina, Cido também conhece bem os problemas dos bairros vizinhos. No Jardim Colúmbia, por exemplo, a colocação do asfalto está parada. Já no Nossa Senhora Aparecida não há previsão de legalização da área. ''Aquelas famílias precisam de um rumo e pelos anos em que estão no local já devem ter direito ao terreno'', avalia.


