O projeto Crer, da Associação dos Amigos do Excepcionais da Casa de Santa Marta, inaugurou anteontem o internato Morada do Sol, no bairro do Atuba, em Curitiba. Numa área construída de 1,2 mil metros quadrados e com 12 mil metros quadrados de área verde, os internos recebem atenção especial de 18 profissionais.
A unidade foi ampliada para receber 30 deficientes e está hoje com metade das vagas ocupadas. Os pacientes ficam internados por um tempo determinado e recebem tratamento de psiquiatria, neurologia, musicoterapia, psicologia, fonoaudiologia e medicina ocupacional. As vagas só são preenchidas com indicação médica ou por ordem judicial.
De acordo com a diretora do projeto, Inês Shubert, o internato não é um hospital e tem como objetivo socializar os pacientes para que possam ter uma convivência harmônica com a família. ‘‘Em geral, as famílias têm tendência a asilar as pessoas com deficiência mental. Mas pode existir um convívio tranquilo com a família’’, diz Inês.
Além do internato, o projeto Crer mantem um semi-internato e uma escola regular. Ao todo são atendidas 50 pessoas com necessidades educativas especiais. ‘‘Muitas vezes temos que tratar mais da família do que do paciente’’, conta.
Inês lembra que muitas vezes a família também fica doente. ‘‘As mães se privam de sua própria vida em função do filho com deficiência mental e isso nem sempre é uma solução de tratamento. É preciso haver uma integração com toda a família’’, argumenta.
Outro problema ainda enfrentado pela família dos portadores de deficiência é o preconceito, constata Inês. Estatísticas da Organização Mundial da Saúde indicam que 2% da população é portadora de alguma deficiência. Desta população, cerca de 1% é de deficientes mentais.

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