Gigante, a ave assusta quando circunda o prédio da agência central dos Correios, em Londrina. Negra, ganha proporção que, à distância, parece descomunal em comparação aos demais pássaros, estes pequenos, comuns e desafiadores do barulho do trânsito. ''Mãe, eu vi um urubu em cima daquele prédio'', grita o menino para a mulher que o puxa pelas mãos. ''Deixa de besteira e toma cuidado por onde anda''. Verdade do menino. O pássaro negro pousou e, como um guardião, desarma suas asas, observando os arredores. Depois busca seu abrigo, através da abertura (uma espécie de janela) que dá acesso à casa de máquinas do prédio. Assim, derruba em parte o que muita gente pensa dele: ''Urubu é mau presságio, porque aparece onde tem carniça''. Este que circunda os Correios e faz da casa de máquinas moradia, ao contrário, escapa do imaginário que faz dele uma ave mal vista e carrega tanto boas quanto más notícias, nas cartas que chegam e vão. (Walter Ogama)

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