Monumento celebra cinquentenário
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sexta-feira, 07 de novembro de 1997
Ibiporã 
Josoé de CarvalhoSímbolos da cidadeHenrique Aragão e o monumento que será inaugurado neste sábado: escultura gigantesca para homenagear homens comunsImaginei construir um painel em que estivessem presentes todos os símbolos e signos das pessoas que, por mais humildes e ocultas que sejam, ajudaram a construir esta bela cidade que é Ibiporã. Passaram por aqui, nestes 50 anos, milhares de famílias vindas de todos os cantos do mundo. Eu quis mostrar um mosaico de pessoas desconhecidas e comuns, não de grandes heróis. Nossa história, ao contrário de outros países e povos, não foi feita por extraordinários heróis. Ibiporã, como o Norte do Paraná, foi construído a partir de trabalho duro e por homens e mulheres comuns, que vieram para cá melhorar de vida e, até por isso, são nossos heróis.
Essa afirmação do artista plástico Henrique Aragão define a sua nova escultura, que será inaugurada amanhã, na entrada de Ibiporã, no canteiro entre a rodovia BR-369 e a avenida marginal Ronalt Sodré (saída para Londrina). Intitulada Monumento do Cinquentenário, a escultura encomendada pela Câmara Municipal foi projetada e produzida por Aragão em concreto e aço inoxidável em dois meses.
O monumento - construído em forma de S deitado - mede 14 metros de comprimento por três metros de altura. O grande mosaico é composto por 152 peças interligadas, sendo 76 de cada lado do mural. A escultura conta ainda com cinco aberturas de diferentes tamanhos e dispostas de forma arbitrária. O S significa, na minha proposta, uma grande serpente rastejando, se movendo em direção leste-oeste pelas férteis terras de nossa região. As janelas abertas são para dar uma idéia de obra ainda não acabada, em construção, explica Henrique Aragão, um paraibano de Campina Grande que - depois de estudar, trabalhar e fazer sucesso em São Paulo e na Europa - mora em Ibiporã há 25 anos.
No painel do monumento - construído peça por peça em formas de gesso, no ateliê do escultor - animais, plantas e números cabalísticos dividem harmonicamente o espaço. Estão presentes de forma simbólica 24 signos do zodíaco - os 12 ocidentais e os 12 orientais. Quis fazer referência a todos os povos, porque todos estão presentes e fizeram parte da história da nossa cidade e da nossa região. Nascemos da colonização inglesa, mas para aqui veio gente de todos os países. Nossa civilização, além de nova, é fruto desta mistura de raças, afirma Aragão.
Nossa história é parecida com a de alguns estados do oeste norte-americano, como o Colorado. Para lá foram pessoas que ganharam ou compraram terra do governo por baixos preços, com o objetivo de trabalhar, batalhar e vencer na vida. Não são personagens carismáticos, grandes líderes, mas milhares de pessoas comuns, sem tradição. É a essas pessoas que minha escultura quer homenagear, ressalta o artista plástico. E juntei tudo, Oriente e Ocidente, para lembrar a importância do combate ao racismo, às discriminações de cor, sexo, origem e religião. Em Ibiporã, temos descendentes de brancos, negros, índios, japoneses, turcos etc. E vivemos muito bem.
Ao lado do painel há a outra parte do monumento, uma coluna com sete metros de altura e 1,30 metro de largura. Quase no topo ficam, uma de cada lado, as esculturas do Sol e da Lua, construídas em aço inoxidável. No centro da coluna há uma abertura por onde passarão os raios do Sol da manhã, projetando a luz no local onde estará depositada a cápsula do futuro (veja matéria acima).
Além desse cosmos caótico da vida terrena, horizontal, existe a força propulsora para o alto, para o divino. Por isso, a coluna ao lado do painel. Para dar este sentido de grandeza, de busca da beleza, de transcender a mediocridade terrestre. Todo homem pensa para o alto, para o além-vida. Por isso, sempre fomos apaixonados pelo céu, pelo universo, pelo paraíso, pelo desconhecido. E os dois maiores símbolos disso são o Sol e a Lua, além de que eles foram os grandes companheiros dos pioneiros. Pode parecer romântico, mas não me incomodo, diz Henrique Aragão, que na construção do monumento foi auxiliado por Agnaldo Adélio Eduardo. A escultura demorou um mês para ser montada no local definitivo por operários da Prefeitura, que doou também os materiais usados. Empresários da cidade ajudaram a Câmara Municipal no pagamento da escultura, através de doações.
(Osmani Costa)


