Ele tem hábitos excêntricos como comer cenouras no cinema, recolher lixo do Pico Marumbi e alimentar-se de ovo cru quando vai seguir, de moto, trilhas no meio do mato. Sua idade beira os 70 anos, embora isso ele não revele de jeito nenhum. O nome de batismo, esse então pouca gente conhece. Nos meios esportivos, porém, todo mundo já ouviu falar do Vitamina, um tarimbado multiesportista que desde a juventude se dedica às causas da natureza.
Ontem à tarde, Henrique Paulo Schmidlin - é esse o nome verdadeiro - recebeu na Assembléia Legislativa o título de Cidadão Benemérito do Paraná, por sua luta pela preservação do patrimônio natural do Estado. Ele é uma espécie de guru do montanhismo no Paraná. Na década de 40, quando começou a explorar o complexo do Marumbi com outros pioneiros ‘‘marumbinistas’’ (expressão criada por Romário Martins, um dos integrantes da turma), Vitamina ficou famoso por seus hábitos naturalistas. Em vez do tradicional pão com sardinha, única opção numa época em que alimentos enlatados eram escassos, Vitamina levava para a montanha um arsenal de legumes e verduras, além do clássico ovo - cru, para horror dos companheiros.
Mesmo na cidade, porém, o esportista é capaz de trocar a pipoca do cinema por nabos franceses que ele mesmo planta no quintal de casa. Nas festas, ele carrega um pacotinho de cenouras ou rabanetes para não consumir bolinhos e quibes fritos. Tudo em prol de uma alimentação saudável, rica em vitaminas. ‘‘Foi daí que veio o apelido’’, explica. ‘‘Mas não sou um ‘eco-xiita’ e também como churrasco’’.
Desde que se conhece por gente, Vitamina pratica esportes. Mas nada de escolher academias ou fazer natação e tênis. Não. Seu negócio é ação de verdade: montanhismo, ciclismo, mergulho livre ou com equipamento, vela e trilha de moto são algumas de suas atividades de fim-de-semana. De dois anos para cá, começou a voar de parapente, realizando o sonho antigo de Ícaro. ‘‘Sempre quis voar. Tirei brevê clandestinamente, numa época em que frequentar o aeroclube era considerado subversivo. Tentei planador, mas era muito caro. Quando estava aprendendo a voar de asa delta, um acidente com o instrutor me assustou’’, relembra. ‘‘Então descobri o parapente, que é fantástico porque alia montanhismo e vôo’’.
Formado em Direito, hoje é curador do Patrimônio Natural do Estado e responde pela avaliação de áreas passíveis de tombamento para preservação. ‘‘Sou contra criar áreas intocáveis. Acho que a natureza é para ser usufruída, mas com consciência ambiental’’.Mauro Frasson‘Vitamina’: cenouras no bolso, consciência ecológica e energia de sobraMariela de Castro Santos

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