Montanhas de entulhos em locais irregulares
Londrina - A interdição do ecoponto do Jardim Nova Conquista, na zona leste de Londrina, surpreendeu pequenos geradores de resíduos que foram até o local na manhã de ontem para descartar os materiais. Os irmãos Moisés e Anatal Henrique dos Santos, que trabalham em uma empresa de jardinagem, reclamaram da falta de opções para descartar restos de poda e galhos de árvore. "A gente nunca jogou isso em fundo de vale e agora vai ter que deixar de trabalhar porque não tem onde jogar?", questionaram.
A fumaça ainda era constante no ecoponto onde galhos foram incendiados nos últimos dias. Não havia fiscais durante a manhã para impedir o despejo. Os portões estavam fechados com cadeado, mas a abertura lateral poderia ser utilizada com tranquilidade. O pequeno empresário Marcio Mizubuti pretendia descartar restos de material de construção. "A equipe faz pequenas reformas em imóveis e a gente costumava deixar o resto do material aqui", contou.
Além das falhas na separação e coleta dos resíduos deixados nos ecopontos, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tenta conter os despejos irregulares. Conforme o presidente da Companhia, Carlos Alberto Geirinhas, 305 pontos já foram mapeados. Um deles fica no Jardim Marabá, zona leste, próximo à linha férrea. A movimentação de caminhonetes, carros e carroças era intensa durante a manhã de ontem.
Em meio às pessoas que faziam o despejo irregular de entulhos estava a dona de casa Maria Aparecida Rodrigues, que garimpa produtos para reaproveitar os materiais. Ontem, ela estava em busca de calçados para os netos que moram em São Paulo. "O pessoal de alguma loja joga os mostruários aqui e sempre dá pra aproveitar", comemorou.
Os calçados eram novos, mas alguns estavam sem o par com a numeração correta. "Quando eu acho os iguais, mesmo que seja um número de diferença, eu dou uma lavadinha e levo pra casa. Quando não tem par, eu vejo se dá pra aproveitar o enfeite. Com isso aqui eu posso fazer um amarrador de cabelo e vender. Qualquer R$ 1 faz diferença", explicou, apontando para o laço de uma das sapatilhas.
De acordo com Geirinhas, a CMTU já recolheu neste ano mais de 2,6 mil caminhões de entulhos dos ecopontos. No entanto, a limpeza dos pontos de despejo irregular serão feitas de forma gradativa e não há um cronograma para a execução do serviço. Os moradores do Jardim Marabá prometem fazer um protesto na Rua Ernesta Galvani na próxima terça-feira. "Vamos fechar aqui e impedir a passagem dos motoristas. A fumaça atrapalha muito a gente e esse lixo não pode ficar aqui", argumentou o vendedor Carlos Rodrigues. (V.C.)





