Com o cabelo raspado e a cara inchada pela cachaça, o ex-montador de estruturas metálicas Celso Marciano, 42 anos, entra pela porta do setor de Reabilitação Social da FAS. É o primeiro dia dele na Fazenda, mas é a segunda vez que ele é internado. A primeira não deu resultado. Sentado, Marciano recusa-se a admitir o vício do álcool. ‘‘Não sou alcoólatra’’, afirma enérgico. A contradição está no fato dele próprio dizer que bebe cerca de três litros de cachaça todos os dias há oito anos, tempo que vive nas ruas, desde que foi abandonado pela ex-mulher.
Falante, Marciano afirma que começou a beber aos 10 anos e nunca mais parou. ‘‘Já fiquei três meses bebendo direto, dia e noite’’, conta. Segundo ele, o álcool ajudava a suportar o trabalho pesado e a ficar acordado. Marciano diz que recebia bônus salarial se as obras eram entregues no prazo. Por isso, trabalhava mais e, por consequência, bebia mais.(J.A.)

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