Londrina - Nas duas grandes rodovias federais que passam no Norte e Noroeste do Paraná, o monitoramento da PRF vem sendo intensificado. Isso porque o número de denúncias é muito baixo em relação a outros Estados.
Segundo o inspetor Wilson Martines, da PRF, as regiões de Londrina e Maringá são as que menos registram denúncias. "As pessoas precisam avisar as autoridades quando observarem um ponto em que há crianças em volta de caminhões, seja pedindo trocados ou oferecendo serviços. É um dever de cidadão", ressalta, revelando que a comunicação pelo 191 da Polícia Rodoviária Federal é o meio mais rápido.
Em outubro de 2011, a FOLHA percorreu alguns trechos do perímetro urbano da BR-369, conhecido como Avenida Brasília, uma das principais de Londrina, e não teve dificuldades para flagrar casos de exploração sexual de adolescentes. Sem se identificar, o repórter foi abordado por uma garota em plena luz do dia, assim que parou o carro à margem da rodovia, próximo à Vila Yara (zona Leste). Horas depois, já à noite, a reportagem voltou ao local e presenciou adolescentes abordando outros motoristas.
Nesta semana, a FOLHA voltou a alguns trechos, mas durante o dia não constatou a presença de crianças, adolescentes ou até mesmo adultas. "De madrugada é frequente. Elas ficam andando pela rodovia e param onde há caminhões. Pela estrutura do corpo dá para ver que são moças mais jovens, mas infelizmente a gente sabe que muitas delas se propõem a isso por conta da droga", conta um frentista de um posto de combustível.
Ao sair do trecho urbano, seguindo para Arapongas, a reportagem abordou diversos trabalhadores e caminhoneiros, mas todos negaram a prática na rodovia. "Cinco anos atrás era pior. Em qualquer posto que a gente parasse vinha uma moça oferecer programa. Hoje melhorou", afirma um motorista de caminhão que não quis se identificar. Para ele, a mudança é resultado das fiscalizações. "Todo mundo sabe que a polícia está ‘em cima’. Eu acho ótimo."
Durante a noite, a equipe continuou percorrendo a rodovia e flagrou uma garota abordando um caminhoneiro no pátio de um posto de combustível, próximo ao entroncamento entre uma rodovia federal e outra estadual, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Como o flagrante foi feito no fluxo da rodovia, não foi possível confirmar se a garota entrou no caminhão.
O levantamento da PRF mostra ainda que os pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes são mais comuns nos corredores de escoamento de riquezas, ou seja, em estradas que ligam regiões mais desenvolvidas a outras menos desenvolvidas. E a maioria (65,8%) encontra-se em áreas urbanas.
Segundo a PRF, nestes locais o volume de veículos em circulação e a facilidade de interação entre vítimas e agressores facilita a prática da prostituição e da exploração sexual de menores e prejudica o trabalho de enfrentamento. Além da BR-369 e BR-376, Martines cita a BR-277, a maior do Estado, que também vem sendo monitorada principalmente nos extremos, nos municípios de Paranaguá e Foz do Iguaçu, como área de pontos de exploração sexual. (M.O.)

Serviço:
Denúncias sobre pontos de exploração sexual de crianças e adolescentes devem ser feitas pelo fone 191

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